A cerca de duas semanas do primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) já iniciou a preparação das 55.820 urnas eletrônicas que serão usadas no estado. Marcada para 4 de outubro, a votação vai reunir mais de 16 milhões de eleitores mineiros.
O trabalho é conduzido por servidores das 304 zonas eleitorais de Minas e recebe o nome de carga das urnas. Nessa fase, cada equipamento é abastecido com o sistema de votação, os dados dos candidatos e as informações dos eleitores de cada seção. Também é instalada a mídia responsável por gravar os votos registrados.
Após a carga, os equipamentos passam por testes de teclado, vídeo, áudio, impressora e sistemas. Parte das urnas ainda é submetida a uma votação simulada, com os candidatos reais, como forma de conferir se todo o funcionamento está correto.
Como etapa final, cada urna recebe oito lacres, responsáveis por manter os equipamentos invioláveis até o dia da eleição. No domingo de votação, os mesários checam todos os lacres antes da abertura das seções. Caso algum apresente dano ou violação, a urna é trocada por uma reserva, que passou pela mesma preparação.
Mesmo prontas, as urnas só começam a operar às 7h de 4 de outubro, quando é emitida a zerésima, comprovante de que nenhum voto foi registrado até aquele momento.
As urnas de Belo Horizonte e Contagem estão sendo preparadas no Centro de Apoio do TRE-MG, na capital. O processo começou em 19 de setembro e deve terminar no dia 27. Nos demais 851 municípios mineiros, a carga é realizada por cada zona eleitoral, em local e data definidos pelo juiz eleitoral, com prazo final em 29 de setembro.
Nesta segunda-feira (21), o presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, acompanhou a preparação dos equipamentos de três zonas eleitorais da capital. Ele destacou a confiabilidade do sistema eletrônico de votação.
"A urna eletrônica é um patrimônio do Brasil e da democracia. Nesses 30 anos, ela não registrou nenhuma irregularidade, e nós precisamos valorizá-la. A cada ano nós a aperfeiçoamos, permitindo que a vontade do eleitor seja efetivamente expressa nas urnas", afirmou o desembargador.
A presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG), Júlia Resende Costa, também participou do acompanhamento. Segundo ela, a entidade "vem trazer legitimidade para essa fiscalização do processo eleitoral, que é pública e necessária".
Todos os equipamentos ficam guardados em locais com vigilância 24 horas e serão distribuídos aos pontos de votação na véspera ou na madrugada do dia da eleição.
Além da OAB, o procedimento é acompanhado pelo Ministério Público, por partidos políticos e por missões de observação credenciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre outras entidades. Esses grupos fiscalizam também outras fases, como a geração de mídias, a definição das urnas para auditoria e os testes de integridade e de autenticidade dos sistemas.