POLÍTICA

Funepu emite nota lamentando impactos negativos causados à própria imagem

Gisele Barcelos
Publicado em 29/09/2021 às 22:34Atualizado em 18/12/2022 às 16:15
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Após resultado da votação na Câmara Municipal, Funepu emitiu nota lamentando impactos negativos causados à imagem da entidade e também constrangimentos sofridos pela equipe de trabalho nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) pelo procedimento instaurado no Legislativo.

No texto, a entidade ainda respondeu questionamentos feitos pela CEI no relatório. Um dos pontos citados foram às críticas ao tempo de permanência dos pacientes nas UPAs. Embora o contrato estabeleça um prazo de até 24 horas, a fundação defende que  é preciso considerar que há grande diferença entre as previsões de um contrato e a rotina de atendimentos nas unidades. 

Além disso, a nota ressalta que a gestão do sistema de regulação para as transferências não é de responsabilidade da Funepu. “Nesse sentido, a premissa de preservação da vida humana sempre se sobressairá, garantindo a manutenção do atendimento até que a transferência [para hospital] seja possível, mesmo que isso ocasione uma sobrecarga nas unidades”, continua o texto. 

Já sobre o caso da paciente que morreu na UPA São Benedito, a fundação manifestou que foi aberta uma sindicância interna na época e, com a conclusão das apurações, uma cópia do documento foi enviada ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais. “No que se refere à denúncia de adulteração de prontuário, trata-se de uma ação praticamente impossível, pois seria uma manobra que precisaria contar com a participação de pelo menos outros cinco colaboradores, alterando um sistema que é dotado de recursos como senhas, permissões, parâmetros e backups”, acrescenta. 

Na nota, a Funepu ainda argumenta que todos os processos e rotinas na gestão das UPAs passam por fiscalização dos órgãos responsáveis como o Ministério Público, além das constantes auditorias externas previstas em contrato. 

O texto ainda posiciona que a entidade registra ainda índices positivos que desde o início da sua gestão. Segundo os dados apresentados, houve a redução da taxa de mortalidade dentro das unidades, passando de 28,8 média/ mês em 2017, para 17,63 média/ mês em 2021.

Leia a nota na íntegra:

É com bastante pesar e com a responsabilidade pública que sempre teve ao longo de quase 40 anos de trabalhos prestados à Uberaba, que a Funepu vem a público esclarecer importantes pontos levantados durante a leitura do relatório da Comissão Especial de Inquérito, da Câmara Municipal de Uberaba, realizada na noite desta quarta-feira (29).

Sem entrar no mérito da viabilidade de um processo como esse, considerando o perfil jurídico desta entidade, e dos impactos negativos causados a imagem dela, uma vez que a denominação da CEI em praticamente todo o momento levou o nome da Fundação, em tempo que deveria se referir especificamente ao ‘contrato de gestão compartilhada das Unidades de Pronto Atendimento de Uberaba’, a Funepu esclarece, entre outros pontos, que:

-No que se refere aos questionamentos sobre o tempo de permanência dos pacientes nas UPAs, é preciso considerar que há grande diferença entre as previsões de um contrato e a rotina de atendimentos nessas unidades, uma vez que a gestão do sistema de regulação para as transferências não é de responsabilidade da Funepu. E, nesse sentido, a premissa de preservação da vida humana sempre se sobressairá, garantindo a manutenção do atendimento até que a transferência seja possível, mesmo que isso ocasione uma sobrecarga nas unidades;

-Sobre o processo de intubação e manutenção de pacientes em sistemas de ventilação mecânica, a Fundação reafirma que são práticas comuns, mesmo que não seja do seu perfil de atendimento, mas tendo sido uma rotina extremamente importante para que os impactos da pandemia do novo coronavírus fossem ainda menor em nosso município;

-Já sobre o caso da paciente que evoluiu a óbito dentro de uma das unidades, a Fundação reforça que na ocasião foi aberta sindicância interna, e com a conclusão das apurações, uma cópia do documento foi enviada ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, destacando ainda que no que se refere a denúncia de adulteração de prontuário, trata-se de uma ação praticamente impossível, pois seria uma manobra que precisaria contar com a participação de pelo menos outros cinco colaboradores, alterando um sistema que é dotado de recursos como senhas, permissões, parâmetros e backups;

-A Funepu esclarece ainda que todos os processos e rotinas na gestão das UPAs passam por fiscalização dos órgãos responsáveis, como o MPMG, além das constantes auditorias externas, previstas em contrato. Em tempo, a Fundação registra ainda índices extremamente positivos que foram alcançados desde o início da sua gestão, como a redução da taxa de mortalidade dentro das unidades, passando de 28,8 média/ mês em 2017, para 17,63 média/ mês em 2021, ano, inclusive, mais grave da pandemia. Além de constantes pesquisas de satisfação que apontam índices de aprovação na casa dos 80%, conforme registrado no segundo trimestre de 2021 (77% UPA Mirante e 72% UPA São Benedito).

Por fim, a Funepu entende que mesmo que a referida sessão não tenha terminado com a indicação da criação de uma Comissão Parlamentar Processante, o que para a interpretação de alguns possa indicar uma vitória da Fundação, não foi isso o que aconteceu. Como também a aprovação do relatório não representa uma vitória dos membros da Comissão. Muito pelo contrário! Mesmo porque a entidade acredita que em um processo como esse não há vencedor.

Perde a Fundação, que mais uma vez vê sua imagem e história construídas ao longo de quase 40 anos serem maculadas; Perdem os mais de 480 trabalhadores da Fundação, incluindo as equipes das duas UPAs de Uberaba, que ao longo dos últimos meses, ao mesmo tempo em que precisaram enfrentar os riscos de uma crise sanitária sem precedentes, também tiveram que administrar os impactos psicológicos de serem constantemente alvo de constrangedores direcionamentos pessoais durante a exaustiva jornada de trabalho, para inconsequentes espetacularizações em transmissões ao vivo nas redes sociais; Perdem os Vereadores bem intencionados com o bem público, que também precisam enfrentar forte pressão contrária daqueles que não seguem o mesmo propósito; E perde, principalmente, a população de Uberaba, que mais uma vez se vê diante da possibilidade de um retrocesso no serviço público de Saúde, a partir de experiências que em outros momentos da história desse município não foram bem sucedidas.  

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