DISPUTA

Gás para Empregar coloca Uberaba e São Paulo na disputa por investimentos

Reunião com representantes do MME e da ANP será realizada nesta quarta-feira na Aciu

Joanna Prata
Publicado em 17/08/2026 às 14:53
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A disputa para definir onde será implantada a estrutura prevista no programa federal Gás para Empregar começa a ganhar contornos mais concretos e coloca Uberaba e São Paulo entre as alternativas em análise. A avaliação é do ex-ministro e ex-prefeito Anderson Adauto (PV), que participa das articulações para a inclusão do município no projeto e estará na reunião marcada para quarta-feira (19), na Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu). 

O encontro, marcado para as 19h, terá a presença de Renato Dutra, responsável pela política do Gás para Empregar no Ministério de Minas e Energia (MME), e Pietro Mendes, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para Adauto, a presença dos dois representantes deverá permitir que empresários e lideranças locais tenham acesso direto ao estágio atual do programa e às decisões que ainda precisam ser tomadas. 

“Os dois estão vindo para cá para poder dizer o que aconteceu até agora, quais são as perspectivas futuras”, afirma Anderson em entrevista ao Pingo do J na Rádio JM. 

A declaração ocorre em um momento diferente das discussões anteriores. Segundo Adauto, as últimas decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a regulamentação aprovada pela ANP colocaram o programa em uma nova etapa. Na avaliação dele, o Brasil agora tem uma política definida para ampliar a oferta e promover a interiorização do gás natural. 

“Tudo que eu falei está acontecendo. Nós só teremos condições de pensar no gasoduto e nas indústrias, nos empregos que nós queremos, se o país tiver um programa nacional de gás, com matéria-prima e num preço baixo, que possa ser viável para as empresas”, disse. 

Disputa por investimentos 

Apesar de defender a posição estratégica de Uberaba, Adauto reconhece que o município não está sozinho na disputa. São Paulo também reúne características consideradas importantes para receber empreendimentos relacionados ao programa, como produção de etanol e biometano. 

Segundo ele, a definição deverá considerar uma série de fatores técnicos, entre eles a proximidade dos mercados consumidores e das áreas produtoras de matérias-primas. Nesse cenário, o Triângulo Mineiro teria como vantagem a proximidade com Goiás e a concentração de atividades ligadas ao agronegócio e à produção de fertilizantes. 

“Pode ficar em Uberaba, pode ficar em São Paulo. Vamos ver quem vai ser melhor nisso para poder fazer acontecer”, afirmou. 

Adauto, entretanto, considera que a possibilidade de o gás chegar a Uberaba permanece concreta. Ele lembra que o município foi considerado desde o início das discussões como projeto-piloto do Gás para Empregar e que essa previsão consta da legislação que estruturou o programa. 

A expectativa é de que o encontro de quarta-feira permita esclarecer justamente quais serão os critérios para a definição dos projetos e como Uberaba poderá se posicionar diante das alternativas que estão sendo avaliadas. 

Anderson também defende uma participação maior do setor produtivo no encontro. Na avaliação dele, empresários que podem ser diretamente beneficiados por um eventual ciclo de expansão industrial precisam acompanhar as discussões sobre o programa. 

Ele cita especialmente empresas do setor imobiliário e da construção civil, que poderiam ser beneficiadas pelos efeitos de um eventual crescimento econômico e populacional provocado pela instalação de novos empreendimentos. 

“Os primeiros que faturam num processo de crescimento da cidade” são justamente os setores ligados à construção e ao mercado imobiliário, afirma. 

O ex-prefeito também defende a presença de representantes de todos os partidos políticos na reunião. Para ele, a discussão deixou de ser apenas uma aposta de longo prazo e chegou a um estágio em que as decisões do governo federal podem definir os próximos passos.

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