Em seu primeiro dia de governo, Simões, novo substituto de Zema no Palácio Tiradentes, participou de audiência de tentativa de conciliação para liberar projeto

Mateus Simões deu entrevista à imprensa em frente ao TRF-6. (Foto/Leonardo Augusto/O Tempo)
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou nesta segunda-feira (23/03) que poderá transferir os R$ 5 bilhões de investimentos previstos para a construção do Rodoanel, na Grande Belo Horizonte, para a ampliação do metrô da capital. Simões, em seu primeiro dia de governo, participou de audiência de conciliação no Tribunal Regional da 6ª Região (TRF-6), dentro de ação que trava a obra, e acusou o Ministério da Igualdade Racial de ser contra o empreendimento. Não houve acordo.
O projeto do Rodoanel, idealizado pelo governo do estado, prevê a ligação da BR-381, na chegada a Belo Horizonte de quem vem de São Paulo, até a mesma rodovia no município de Caeté, na saída para o Espírito Santo, o que desafogaria o trânsito no Anel Rodoviário da capital. Em outubro do ano passado, o procedimento de solicitação de licenças por parte do estado para a realização da obra foi suspenso pela Justiça, o que gerou a audiência de tentativa de conciliação realizada nesta segunda-feira.
As ações que motivaram a paralisação do projeto pedem a realização de audiências públicas para que a população quilombola moradora da região que será cortada pela via seja ouvida sobre o empreendimento. Além do governo do estado, participaram da reunião representantes dos quilombolas, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Igualdade Racial. Os recursos para o Rodoanel foram acertados dentro do acordo fechado como compensação com a mineradora Vale após a tragédia de Brumadinho, que provocou a morte de 270 pessoas.
"Infelizmente, se nós não tivermos uma decisão rápida, eu vou pedir no acordo de Brumadinho, que não tem nada relação com a Justiça federal, que o dinheiro do Rodoanel seja retirado para que a gente faça a expansão do metrô. Não é o que eu queria", afirmou o governador, na saída da audiência. Simões destacou várias vezes durante entrevista coletiva que não estava colocando pressão sobre o juiz responsável por julgar o caso, mas nas partes envolvidas. Simões espera uma mudança no cenário em, no máximo, um mês.
"O Ministério interferiu hoje na audiência claramente para impedir que fosse feito algum acordo para que a gente pudesse avançar. Estão politizando a questão do Rodoanel", acusou Simões. A reportagem enviou questionamentos para o Ministério e aguarda retorno.
A transferência dos recursos do Rodoanel para o metrô, conforme Simões, ainda teria que ser negociada com a Vale e outros participantes do acordo de Brumadinho. O governador, no entanto, não acha que essa negociação seria complicada.
Simões tomou posse no cargo neste domingo (22/03) após renúncia de Romeu Zema (Novo), que se dedicará à pré-campanha para presidente.
Fonte: O Tempo