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Governo Lula critica decisão dos EUA sobre CV e PCC como terroristas: 'Pretexto para intervenção'

Departamento de Estado dos EUA anunciou mudança nesta quinta-feira (28/5) e ignorou pedidos do governo brasileiro de barrar a classificação

Ana Paula Ramos/O Tempo
Publicado em 29/05/2026 às 08:16
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O anúncio da medida foi feito nesta quinta-feira (28/5), um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O governo brasileiro já alertou que a classificação abre brecha para invasão estrangeira no país. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República e ex-chanceler, Celso Amorim, chamou a medida de "pretexto para intervenção".

"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", disse Celso Amorim, por meio de nota.

No comunicado divulgado nesta quinta-feira, o governo norte-americano afirmou que as facções serão designadas como “terroristas globais especialmente designados” (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e como “organizações terroristas estrangeiras” (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs).

A justificativa é de que CV e PCC estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e disseram que os grupos “comandam milhares de integrantes” e são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.

O governo Lula buscava evitar que essa designação fosse feita pelos EUA. Em maio de 2025, o chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble, pediu que o governo brasileiro classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas. O pedido foi negado.

À época, o governo brasileiro negou o pedido com a alegação de que as facções não se enquadram na definição de terrorismo prevista na Constituição brasileira. O Ministério da Justiça afirmou que as organizações criminosas brasileiras não têm motivação ideológica, política ou religiosa, nem atuam para derrubar o sistema.

Por isso, pela legislação brasileira, facções como o PCC e o CV não são classificadas como terroristas, mas como organizações criminosas. Esses grupos buscam lucro por meio de crimes e lavagem de dinheiro.

Lula debateu segurança pública com Trump 

No encontro com Donald Trump, no início do mês, o presidente brasileiro afirmou que defendeu a criação de um grupo forte no combate ao crime organizado com outros países da América e do mundo. Segundo o petista, o Brasil tem “expertise” no assunto.

“Resolvemos discutir assuntos que pareciam tabus: a questão do crime organizado, muitas vezes os EUA falavam em combater drogas tentando ter base militar em outros países, quando na verdade, para fazer que os países deixem de fabricar droga, é preciso que a gente crie alternativas econômicas para outros países", relatou Lula.

'Traidores irresponsáveis'

A bancada do PT na Câmara também reagiu à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O deputado federal Lindbergh Farias (RJ) chamou Eduardo e Flávio Bolsonaro de "traidores irresponsáveis" e apontou consequências negativas para a segurança, a economia e soberania do Brasil. 

"Eduardo e Flávio são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia. São traidores da Pátria! É isso que tá em jogo!", afirmou o parlamentar, em vídeo publicano no X.

Na mesma linha, o líder do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que a família Bolsonaro quer entregar o Brasil ao governo dos EUA. Em nota, o parlamentar apontou que a decisão do governo norte-americano "pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira". E destacou que o governo brasileiro apresentou "proposta séria de cooperação internacional" para combate ao crime organizado, baseada na asfixia financeira.

"A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, de oferecer as nossas riquezas como os minerais críticos, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump", disse o líder.

Fonte: O Tempo

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