O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, avançou nas etapas finais de uma investigação comercial contra o Brasil e sinalizou a possibilidade de novas sanções e tarifas contra o país.
O processo é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e está na fase de consultas, etapa obrigatória antes da divulgação das conclusões. Representantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva devem ser chamados a Washington entre abril e maio para conhecer os resultados preliminares. A decisão final pode ser anunciada até julho.
A investigação foi aberta em 2025 com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e abrange diferentes áreas, como comércio digital, tarifas, propriedade intelectual e acesso a mercados. Entre os pontos mais sensíveis está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Pix recebe tratamento preferencial no Brasil, o que prejudicaria a concorrência — argumento negado pelo governo brasileiro.
Além disso, os EUA também questionam tarifas sobre etanol, políticas ambientais e possíveis barreiras comerciais. A investigação foi iniciada em meio a tensões políticas, após críticas de Trump ao que chamou de “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Caso o USTR conclua que há práticas comerciais injustas, os Estados Unidos poderão aplicar sanções tarifárias e não tarifárias. Especialistas apontam que esse tipo de medida tem base jurídica mais sólida no país e pode ser mais difícil de reverter.
O Brasil já havia sido alvo de um tarifaço anterior, que elevou taxas de importação em até 50% sobre alguns produtos. Apesar de flexibilizações posteriores, novas sanções podem reacender a pressão econômica.
Além dessa apuração, o Brasil também passou a integrar outra investigação americana, que analisa a entrada de produtos ligados a trabalho forçado no mercado dos EUA. A medida atinge cerca de 60 países e faz parte de uma estratégia mais ampla de revisão das relações comerciais, especialmente em setores sensíveis.
A expectativa é de que as decisões do governo americano tenham impacto direto nas relações comerciais entre os dois países e possam afetar setores estratégicos da economia brasileira.