
(Foto: Flavio Tavares/O Tempo)
A relação política construída ao longo dos últimos anos entre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e o governador Mateus Simões enfrenta um momento de interesses divergentes às vésperas das eleições de 2026. Enquanto Zema trabalha sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Novo, Simões concentra esforços na tentativa de reeleição ao Governo de Minas.
Os dois iniciaram suas trajetórias políticas praticamente no mesmo período e tiveram uma atuação conjunta dentro do Novo. Simões foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2016 e, posteriormente, integrou a administração estadual de Zema, assumindo a Secretaria-Geral do Governo. Em 2022, foi eleito vice-governador na chapa liderada pelo então governador.
A principal divergência está relacionada às articulações para a disputa eleitoral deste ano. Segundo entrevista concedida por Simões ao jornal O Tempo, o governador considera que sua estratégia política seria favorecida caso Zema desistisse da corrida presidencial. Nesse cenário, haveria mais espaço para negociações de alianças com outras legendas, incluindo o Partido Liberal (PL).
Por outro lado, a candidatura de Zema ao Palácio do Planalto é vista como uma oportunidade de fortalecer o Novo nacionalmente. O ex-governador é considerado o principal nome da legenda, após ter conquistado dois mandatos consecutivos no comando de Minas Gerais.
Outro ponto de atrito envolve a composição da chapa de Simões para a reeleição. O Novo sustenta que existe um acordo para indicar o candidato a vice-governador. Em declarações recentes, Simões afirmou que a indicação estaria vinculada diretamente a Zema, e não ao partido. Já a equipe do ex-governador confirmou a existência do entendimento e afirmou que o compromisso prevê a apresentação de um nome filiado ao Novo.
Nos bastidores, a definição da vaga de vice é considerada estratégica. Para o Novo, a manutenção do espaço na chapa garantiria protagonismo político no estado. Para Simões, a possibilidade de negociar a vaga com outras legendas poderia ampliar seu leque de alianças eleitorais.
Apesar das divergências, tanto Zema quanto Simões têm manifestado publicamente apoio mútuo e evitado sinalizar rompimento político.
Pela legislação eleitoral, os partidos têm até 15 de agosto para registrar as chapas que disputarão as eleições de 2026. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto, enquanto o horário eleitoral gratuito em rádio e televisão está previsto para ocorrer entre 28 de agosto e 1º de outubro.