Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconhece trabalho desempenhado pela juíza Andréa Luiza Franco Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP) da Comarca de Uberaba. Desde outubro de 2013, a magistrada realiza audiências para concessão de progressão de regime de cumprimento de pena e outros benefícios aos os detentos, dentro da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira.
Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, em 2015 foram realizadas, no interior da penitenciária de Uberaba, 387 audiências relacionadas à concessão de benefícios penais, também conhecidas, no meio jurídico, como admonitórias. Foram concedidos no período 220 alvarás de soltura e 187 progressões de regime de cumprimento de pena. No ano de 2014, o número total de benefícios concedidos foi de 297.
As audiências devem ser agendadas sempre que o detento, após determinado tempo de cumprimento de pena, estiver dentro do prazo para receber benefícios previstos na Lei de Execução Penal. O magistrado avalia se o comportamento carcerário do apenado, informado por certidão do diretor da unidade, o habilita a obter benefícios e voltar para a sociedade.
O trabalho é realizado em parceria com a direção da penitenciária, o Ministério Público e a Defensoria Pública. Segundo Andréa Luiza, a medida foi tomada como solução ao crescente deslocamento de detentos entre a penitenciária e o fórum, o que aumentava as despesas e atrasava a execução penal. A Penitenciária de Uberaba tem capacidade para 698 pessoas e abriga presos condenados e provisórios, ou seja, ainda não julgados. Porém, como todo presídio brasileiro, trabalha com lotação máxima.
Segundo a instituição, o procedimento tem evitado o aumento desproporcional do número de internos. A iniciativa estaria promovendo a economia de combustível, o emprego de mais agentes penitenciários, a segurança da unidade prisional e a redução da tensão entre os presos.
Com esse mesmo foco, o CNJ criou um grupo de trabalho, em agosto do ano passado, que atua no desenvolvimento do Sistema Eletrônico de Execução Unificado. Segundo o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do Conselho Nacional de Justiça, uma experiência-piloto com o novo sistema deve começar em março de 2016, em cinco tribunais.