Líder governista, o vereador Luiz Dutra (SDD) disse ontem que iria “puxar a orelha” do prefeito Paulo Piau (PMDB) que, se o quer no posto, deve assegurar-lhe linha direta para tratar dos assuntos de interesse do governo junto à Câmara. A reação, no terceiro dia de exercício da função em plenário, foi provocada pela sua dificuldade de acesso a PP, que precisava ser consultado para dar sequência à votação do veto total do Executivo ao projeto de lei do vereador Afrânio Lara Resende (Pros) criando os jogos municipais da terceira idade. “Procurei fazer todos os esforços aqui. Entrei em contato com o prefeito e não consigo falar; com o Wellington Cardoso (secretário de Governo) e não consigo falar. Vou inclusive puxar a orelha do senhor prefeito. Se ele quer que eu seja seu líder, que tenha linha direta comigo. Quer que eu seja seu líder, seu porta-voz, fale comigo. Não vou fazer nada por tabela”, disparou Dutra, surpreendendo os colegas que pouco antes o haviam cobrado, bem como ao vice-líder, vereador Kaká Se Liga (PSL), que chegassem a um consenso quanto à determinação do governo para dar sequência na votação do veto (leia mais nesta página). Isto porque Kaká havia dito pouco antes que conseguira falar com o prefeito e que já tinha sua orientação. “Quero deixar claro que gosto de cumprir com a minha palavra, os atos de terceiros, cada um é responsável pelo seu”, afirmou Dutra, dirigindo-se ao vice-líder, a quem também colocou que não gosta de entrar em conflito, porque sempre procura a paz, o bom diálogo para chegar ao entendimento. Além da crítica, Kaká também viu seu cargo de vice-líder ser questionado pelos colegas Samir Cecílio (SDD) e Marcelo Borjão (DEM), ao que assegurou estar previsto no Regimento Interno. Ele, porém, avisou que a partir de agora somente exercerá a liderança na ausência de Dutra ou se este pedir sua ajuda.