Para o enfrentamento da severa seca que assola Uberaba nas últimas semanas, engenheiros e lideranças técnicas da cidade se reuniram no sábado (18), para verificarem a condição da atual transposição do rio Claro. Além de confirmarem a escassez de água, o grupo sugeriu mudanças emergenciais a fim de minimizar a crise hídrica, como a utilização do rio Araguari, no município de Sacramento.
Em entrevista à Rádio JM, o presidente do Instituto de Engenharia e Arquitetura do Triângulo Mineiro (IEATM), Gilberto Barata, revelou que a ideia faz parte de um plano, dividido em duas etapas: emergencial e definitivo. Como a seca em Uberaba está em nível crítico, com fechamento de reservatórios durante o dia, é preciso colocar em prática o projeto mais urgente.
Neste caso, é possível imaginar a transposição do rio Araguari, com nascente no município de Sacramento. O percurso para utilização deste recurso fluvial percorreria cerca de dez quilômetros até chegar aos centros de distribuição da Codau, o que pode ser estudado com mais afinco.
“Nós tivemos lá uma possível captação que seria para reforçar a transposição do rio Claro. Ela seria do rio Araguari, no município de Sacramento. Logicamente, as lideranças daqui terão que conversar e pedir ao prefeito, aos vereadores. Aí, ocorreria essa transposição do rio Araguari para a cabeceira do rio Claro, com distância em torno de 10 km, [a água] desce pelo rio Claro, corre por dez quilômetros e cai na transposição do rio Claro. Da transposição, como acontece hoje, vai para o córrego da Saudade, para o rio Uberaba, [para o] ETA e para a distribuição em Uberaba. Tá tudo muito remendado. A gente sempre separou o emergencial. Apresentamos essa situação para a Codau, com a menor distância que conseguimos, o que é possível”, declarou Gilberto.
Contudo, o grande problema deste cálculo são as burocráticas representações do Poder Público, como o processo de licitação. Com o menor prazo de 60 dias, não é possível que a obra seja feita de maneira emergencial, o que inviabiliza, a priori, o projeto.
O presidente do IEATM se mantém otimista, apesar do quadro desanimador de prazos e concorrência. Ele afirma que está na hora de “arregaçar as mangas e correr” para conseguir neutralizar a seca em Uberaba.
Outra preocupação de Gilberto Barata é com as nascentes no território uberabense. Como presidente do Instituto, ele declara ter todo o material necessário para afirmar que as nascentes estão em risco e precisam ser cuidadas para que novos casos de seca, no futuro, não ocorram. Para isso, ele pede auxílio da fiscalização pública e da relação de orientação dos proprietários rurais.