Depois de meses de embate com o atual comando do PDT, o presidente da Câmara, Luiz Dutra, revelou ontem que permanecerá no partido. O anúncio oficial aconteceu faltando pouco menos de 48 horas para o fim do prazo de filiação de quem pretende sair candidato em 2012. Segundo o pedetista, seu destino foi selado em uma reunião no início da tarde com o presidente da comissão provisória da agremiação, Luiz Henrique Borges, e demais integrantes da Executiva. “O PDT está acima das questões menores, dos conflitos que existem em todo e qualquer partido e esse talvez seja o exercício que prepara para a militância na vida política”, disse Dutra, ao justificar sua permanência na sigla. Ele completa o mea-culpa assegurando que “foi para mim um aprendizado, um reconhecimento dos meus erros e falhas e aqui quero deixar de público que gosto do PDT, da filosofia partidária, desde Vargas [Getúlio], passando por Brizola [Leonel] e Darci Ribeiro, até Carlos Lupi [ministro do Trabalho, que estará amanhã em Uberaba].” Dutra inclusive elogiou seu até então desafeto, o vice-presidente da legenda, João Franco Filho, para quem até outro dia era um ditador, e agora é citado como experiente na vida política por suas passagens pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, secretarias municipais de Saúde, de Governo e Desenvolvimento, e merece respeito. O pedetista ainda assegura que será um soldado a trabalhar pelo PDT e espera contribuir para seu fortalecimento a fim de que possa apresentar chapas majoritária e proporcional em 2012. Questionado se fez alguma concessão para permanecer no partido, já que há uma semana revelou que João Franco queria cargos para garanti-lo nos quadros da agremiação, Dutra se limitou a dizer que “dentro de um desenrolar dos acontecimentos, tudo a tempo e hora será colocado. Diria que todas as arestas foram aparadas e todos saíram ganhando com isso”. Além disso, ele assegura que tudo ficou bem alinhavado com os companheiros, que entenderam e confiaram no seu trabalho, que agora será em conjunto.