Ex-prefeito de Uberaba, Anderson Adauto aposta no perfil conciliador de Lula para pacificar a relação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante café da manhã com jornalistas setoristas, no Palácio do Planalto (Foto/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A reaproximação com o agronegócio brasileiro é uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A afirmação é do ex-prefeito Anderson Adauto, um dos articuladores políticos da campanha presidencial, em entrevista à Rádio JM. Segundo Adauto, o novo governo enfrenta resistência de parte dos produtores rurais devido ao alinhamento com seu então adversário político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mas a hora é de pacificação e estreitamento de relações, tendo em vista a importância do setor para o desenvolvimento do país, sobretudo em Uberaba, uma das referências nacionais no Agro. Fortalecendo essa estratégia, o ex-prefeito sinaliza com a articulação da vinda do chefe do Executivo à cidade em abril, durante a abertura da safra de açúcar e etanol.
A proposta ainda é bastante incipiente, sobretudo por ser um governo recente. Mas a aposta de Anderson Adauto é de que a relação conturbada com o setor foi apenas momentânea. Ele aposta no perfil conciliador de Lula para pacificar a relação com o Agro, reticente sobretudo com as investidas dos movimentos sociais de ocupação de terras.
“São homens e famílias extremamente trabalhadoras. Estão no campo, trabalhando, e de repente o Bolsonaro falou a linguagem deles, no combate ao MST, por exemplo, e eles passaram a gostar muito. Se apaixonaram e não perceberam aquela coisa que na política só não tem empate, alguém ganha e alguém perde. Foi por pouco voto, mas o Bolsonaro perdeu e é hora de seguir em frente”, completou o ex-prefeito na análise da relação política.
Anderson aproveitou para tecer elogios à organização cada vez mais eficiente do grupo voltado ao Agro. “O agronegócio, do ponto de vista técnico e político é a área mais competente da economia brasileira hoje. A bancada ruralista é fortíssima. E nós precisamos do agronegócio. Não tem por que, só por serem contra, não estarmos de bem”, ponderou.
Nesta perspectiva de conciliação, AA revelou que tentará trazer Lula a Uberaba para agendas com a categoria este ano. A primeira delas seria em abril, durante a abertura da safra de açúcar e etanol, potencialidades da região.
“Vou fazer tudo do meu alcance para levar o presidente Lula em abril na abertura da safra. E por que não conciliar? O Lula não é um conciliador? Ele sabe que para governar o país, quanto mais pacificado, melhor”, finalizou o ex-chefe do Executivo.
Durante a corrida presidencial, Lula optou por comparecer com o candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil, em Uberlândia. Kalil esteve em Uberaba e deu entrevista à , mas desacompanhado, apesar da movimentação de apoiadores petistas na cidade.
Na cidade, Jair Bolsonaro (PL) foi o majoritário e recebeu 84.023 votos (46,96%); Lula (PT) teve 78.984 votos, em segundo lugar (44,15%).