Foto/ Beto Barata
Marcos Montes não esconde que gostaria de ver o presidente Temer mais envolvido com o combate à corrupção
Recém-eleito líder da bancada do Partido Social Democrático (PSD) na Câmara para 2017, o deputado federal Marcos Montes (MG) está deixando a vice-liderança do governo Michel Temer (PMDB) – cargo que exerce desde o dia 5 de agosto deste ano, conforme mensagem do presidente da República, publicada, naquela data, no Diário Oficial da União. “Deixo claro que não existe rompimento com o governo Michel Temer. Estou saindo da vice-liderança do governo em razão de ter sido eleito para liderar a bancada do PSD”, explica Marcos Montes.
Segundo ele, apesar de a legenda pertencer à base política do presidente Temer e de apoiar as medidas de ajuste fiscal, a liderança da legenda – uma das mais importantes do país – exige tempo e disponibilidade.
Ele lembra que a função de líder de partido é parte essencial do processo legislativo e acumula uma série de atribuições, principalmente ligadas à articulação política e ao trabalho de unificação do discurso partidário.
Sucesso. “Agradeço a confiança do presidente Michel Temer e desejo todo sucesso para sua gestão. Afinal, o sucesso do governo será a indicação de que o Brasil está no rumo certo para sair da pior crise de sua história”, destaca Marcos Montes. “Eu aceitei o convite levando em conta uma série de fatores, que envolveram desde minha participação direta no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, até a confiança de que o novo governo poderia promover a retomada do desenvolvimento do Brasil”, acrescenta.
Ética. Por outro lado, o deputado não esconde que gostaria de ver o presidente Temer “mais envolvido com o combate à corrupção”. Segundo ele, “apesar da confiança e do reconhecimento de que Temer possui força política no Congresso Nacional, não posso ignorar que o presidente está cercado de pessoas que não estão à altura deste momento em que o Brasil luta por ética na política”. De acordo com Marcos Montes, “é claro que existe entre os denunciados quem irá provar sua inocência nas acusações que pesam contra eles. É natural que isso aconteça”. Entretanto, o que não deixa dúvida para o parlamentar “é que o presidente, ao manter no governo pessoas com denúncias fortes de corrupção e muito próximas a ele, está contribuindo com o enfraquecimento do próprio governo”.
Ressalta que pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias mostram queda na confiança e, não por mera coincidência, “isso acontece bem no auge das denúncias envolvendo pessoas sentadas ao lado ao Presidente”.
Vontade política. O atual vice-líder e futuro líder da bancada do PSD diz que é evidente a vontade pessoal e política de Temer em recolocar o Brasil no rumo certo, seja com ajustes fiscais, seja com anúncios de pacotes econômicos. “Mas nada será suficiente se não houver uma demonstração explícita de ruptura com a crise ética. Se não houver esta ruptura, a base no Congresso Nacional não terá outro caminho a não ser o de se afastar do governo”, prevê. “Sem a ruptura com a crise ética, o governo Michel Temer está se tornando motivo para as mais variadas reações radicais – muitas delas no sentido oposto à Constituição Federal. Espero, assim como todos os que ainda confiam no atual presidente, que ele entre de cabeça no combate à corrupção, não apenas com palavras, mas com exemplos” – torce o deputado.