Esta semana deve chegar à Assembleia o projeto do governo do Estado que propõe a extinção de cargos comissionados
Esta semana deve chegar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais o projeto do governo do Estado que propõe a extinção de cargos comissionados e a redução do número de secretarias, de 23 para 17, e de órgãos da administração indireta. Os cortes foram anunciados na semana passada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB). Deputado estadual da base aliada, Antônio Lerin (PSB) considera que o chefe do Executivo adotou uma agenda positiva em consonância com o clamor das ruas. “É sinal de que ele [Anastasia] está administrando de forma republicana”, completa o pessebista, para quem ainda o governador age com responsabilidade e serenidade. Ao anunciar o novo choque de gestão, que também inclui cortes de gastos com custeio e viagens – neste caso, as alterações já estão valendo, pois não dependem de aprovação do Parlamento –, o governador revelou que o objetivo é economizar R$1,1 bilhão até o final do seu mandato, em 2014. Deputado da oposição e terceiro vice-presidente da ALMG, Adelmo Leão (PT) avalia que se a intenção de Anastasia for disciplinar, organizar e tornar excelente a estrutura governamental, terá seu voto favorável. “É isso que tenho discutido com o governo e com o governador inclusive”, arrematou o petista, observando que é preciso saber o momento de resistir, denunciar e votar contra. Ainda de acordo com ele, ano que vem haverá disputa eleitoral e cada grupo terá seu projeto a mostrar para a sociedade, que saberá fazer sua escolha. O também petista Elismar Prado é mais cauteloso ao ponderar que é necessário apurar detalhadamente o projeto para saber se não haverá cortes em áreas prioritárias que venham a comprometer o funcionamento da administração estadual. “O PSDB pode estar visando a construir sua plataforma eleitoral”, aponta Elismar, que ainda questiona se os cortes não passam de uma jogada de marketing, uma propaganda para promover-se em ano pré-eleitoral. Para sustentar suas considerações, o parlamentar aponta que na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) o país tinha 25 ministérios e gastava R$18 bilhões com custeio. Agora, na administração Dilma Rousseff (PT), são 39, e os gastos são de R$16 bilhões, diz Elismar, que prega ser necessário avaliar bem a conta antes de votar o projeto do governador Anastasia. A proposição de lei tratará da reforma administrativa que vai reduzir 52 cargos de primeiro escalão a partir de 1º de janeiro de 2014 e R$245 milhões em gastos.