Presidente da companhia esteve em Uberaba para receber o título de cidadão e anunciou a retomada de articulações com a TGBC para viabilizar o duto a partir de São Carlos
Foto/Rodrigo Garcia-CMU
Marco Antônio Castello Branco, presidente da Codemig, durante o seu pronunciamento ontem na Câmara Municipal
Mesmo sem fábrica de amônia, Codemig firma compromisso de trazer gás para o Triângulo Mineiro e anuncia retomada das articulações com a TGBC para tentar viabilizar a implantação do duto a partir de São Carlos. A informação é do presidente da companhia, Marco Antônio Castello Branco, que esteve em Uberaba ontem para receber título de cidadania uberabense na Câmara Municipal.
Ao discursar aos vereadores, Castello Branco posicionou que o Estado está empenhado em buscar outro caminho para viabilizar a produção de fertilizantes na região sem o investimento da Petrobras. Ele ressaltou, no entanto, que a atração dos empreendedores depende de construir o gasoduto e a consolidação do projeto não pode estar condicionada à fábrica. “Não podemos ficar num círculo vicios a planta de amônia não tem porque não tem gasoduto e o gasoduto não existe porque a planta de amônia não está definida. Temos que romper isso”, acrescentou o presidente da Codemig.
Em entrevista a jornalistas, Marco Antônio esclareceu que as tratativas com a TGBC já foram restabelecidas para concretizar o gasoduto de São Carlos. O projeto foi o primeiro a ser citado quando houve a assinatura do protocolo de intenções entre a Petrobras e o governo estadual em 2011, porém acabou sendo deixado de lado por alternativas como o ramal de Ribeirão Preto (SP) e a proposta do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) de trazer o gás de Betim. Nem uma das duas avançou.
A TGBC, por outro lado, concluiu o licenciamento ambiental do gasoduto e cumpriu todo o processo burocrático para conseguir a autorização da ANP para a abertura da chamada pública. O procedimento para comercialização do gás foi realizado em 2014 e apenas a Gás Brasiliano – empresa pertencente à Petrobras – manifestou interesse em contratar a capacidade do duto, mas a proposta foi considerada inviável e o processo cancelado.
De acordo com o presidente da Codemig, a licença ambiental do gasoduto de São Carlos vence em outubro deste ano, mas a TGBC já solicitou ao Ibama a renovação do licenciamento para estar apta à abertura de uma nova chamada pública de comercialização do gás. Em paralelo, Castello Branco afirma que articulações estão em andamento para assegurar mercado consumidor para o gasoduto, mesmo sem a fábrica de amônia.
Além disso, o presidente da Codemig informa que negociações também estão sendo feitas com a Petrobras para o Estado retomar a área onde seria construída da UFN-V e realizar as compensações financeiras à petrolífera pelas benfeitorias realizadas na propriedade. Segundo ele, parte dos equipamentos adquiridos pelo consórcio Toyo Setal já foi negociada e não está mais na cidade.
Concluída a transação com a Petrobras, Marco Antônio adianta que a própria Codemig vai assumir o trabalho de captação de investidores para implantar uma unidade de produção de fertilizantes em Uberaba. A amônia seria o produto inicial da fábrica, mas ele posiciona que outros itens poderiam ser inseridos posteriormente.
Outras demandas. Aproveitando a visita do dirigente da Codemig, o prefeito Paulo Piau (PMDB) reforçou o pedido de apoio para outros projetos da região. O peemedebista solicitou trabalho conjunto para a atração de empresas para a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e também para viabilizar a implantação do aeroporto internacional no Triângulo Mineiro.