POLÍTICA

Ministro do STF defende a prisão de Ricardo Saud e Joesley Batista

Luiz Fux defendeu a prisão de um dos donos da JBS, Joesley Batista, e do diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud

Gisele Barcelos
Publicado em 07/09/2017 às 00:25Atualizado em 16/12/2022 às 10:40
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Foto/Reprodução

Uberabense Ricardo Saud é acusado de, com o dono da JBS, Joesley Batista, enganar a PGR

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux defendeu ontem a prisão de um dos donos da JBS, Joesley Batista, e do diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud, ambos delatores da Lava-Jato. A crítica foi feita na abertura de primeira sessão da Corte após a decisão da Procuradoria-Geral da República de abrir processo para revisar o acordo de colaboração.

Para Fux, Joesley e Saud enganaram a Procuradoria-Geral da República e omitiram informações dos investigadores nos depoimentos da delação premiada. “Eles ludibriaram o Ministério Público, eles degradaram a imagem do país no plano internacional, eles atentaram contra a dignidade da Justiça e revelaram a arrogância dos criminosos de colarinho-branco. De sorte que eu deixo ao Ministério Público a opção de fazer com que esses participantes dessa cadeia criminosa, que confessaram diversas corrupções, que eles passassem do exílio nova-iorquino para o exílio da Papuda [referência ao presídio no Distrito Federal]", disse.

No início desta semana, o procurador-geral Rodrigo Janot abriu investigação para apurar omissão de informações dos dois delatores da JBS. A medida foi tomada após ter acesso a áudios com conversas entre Joesley e Saud. No diálogo, ocorrido no dia 17 de março, os dois falam sobre uma suposta atuação do ex-procurador da República Marcello Miller, para ajudar os executivos a fechar a delação. Eles ainda não haviam iniciado conversas para fechar o acordo e Miller ainda trabalhava na PGR como auxiliar do procurador-geral. Saud fala ainda no áudio de uma conta corrente que tinha no Paraguai, não informada na delação.

Dependendo do resultado das investigações, os benefícios concedidos pelo Ministério Público aos executivos poderão ser anulados, inclusive a imunidade penal que impede qualquer processo criminal contra eles. A revisão da delação atinge três dos sete executivos da empresa que fecharam o acordo. Além de Joesley e Saud, também será investigado Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa.

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