Trabalhadores dizem que pagamentos de novembro e dezembro seguem em aberto; Educação afirma que boletins de quilometragem de novembro ainda estão em análise

Manifestantes se concentraram na porta do Centro Administrativo de Uberaba (Foto/Luiz Gustavo Rezende)
Motoristas do transporte escolar rural protestaram nesta terça-feira (27), em frente ao Centro Administrativo da Prefeitura de Uberaba, para cobrar o pagamento de serviços prestados em novembro e dezembro de 2025 à Gathi Gestão, empresa que operava o transporte no ano letivo passado e teve o contrato rescindido após determinação do Ministério Público, diante de suspeitas de fraude no processo licitatório. Após reunião com servidores da Secretaria Municipal de Educação (Semed), o encontro terminou sem definição e a administração municipal informou que deve apresentar uma posição às 14h.
A mobilização começou por volta das 10h15. Os manifestantes foram recebidos pelo secretário-adjunto Alexandre Lennon e por outros servidores da Semed. Na reunião também estavam presentes representantes a Gathi Gestão. O vereador Cleber Júnior (MDB) acompanhou a agenda. Um dos motoristas relatou à reportagem que a falta de repasse tem gerado insegurança financeira e pode comprometer o início do transporte na próxima segunda-feira (2), já que muitos contavam com os valores pendentes para custear combustível e manutenção dos veículos.
Conforme apurado pela reportagem do JM, a Semed informou à categoria que os boletins de quilometragem rodada referentes a novembro ainda estão em análise, o que trava a liberação dos pagamentos. Diante disso, uma posição deve ser repassada nesta tarde.
O Jornal da Manhã acionou a Prefeitura de Uberaba. Em nota, a Secretaria de Educação (Semed) informou que recebeu nesta terça parte dos motoristas da empresa terceirizada Gathi, até então responsável pelo transporte escolar rural. "Na reunião, a Secretaria reforçou, conforme já pacificado nas reuniões com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que os motoristas são contratados pela empresa em regime CLT e que o pagamento dos salários é obrigação da própria Gathi. Assim, os atrasos registrados nos vencimentos deveriam ter sido regularizados pela empresa, o que, até o momento, não ocorreu", informou.
Ainda na nota, sobre os valores referentes às quilometragens rodadas, a Semed explicou que "os pagamentos dependem do envio correto dos boletins de rotas e da nota fiscal por parte da empresa. No entanto, a Gathi tem atrasado a entrega e a correção desses documentos, inclusive de rotas percorridas ainda em novembro de 2025, o que impede a liberação do pagamento. Mesmo assim, a Secretaria está mobilizada para pagar as rotas que já foram conferidas, sempre dentro da lei e com total transparência", finaliza
Os atrasos cobrados nesta terça-feira envolvem o período em que o transporte escolar rural era operado pela empresa Gathi Gestão, cujo contrato foi suspenso por decisão judicial a pedido do Ministério Público, no âmbito de investigação que apura suspeita de fraude no processo licitatório.
Em dezembro, decisão da 5ª Vara Cível determinou a suspensão imediata do contrato e autorizou, como medida para garantir a continuidade do serviço, a contratação da cooperativa Ubervan, que também participou do certame. Na mesma decisão, foi apontada a possibilidade de o pagamento aos motoristas ser feito diretamente, sem repasse à empresa afastada.
A formalização do contrato com a Ubervan foi publicada no Porta-Voz na segunda-feira (26), com valor global de R$ 40,59 milhões, vigência inicial de 18 meses e previsão de 92 vans.
*Matéria em atualização