POLÍTICA

MPF pode pedir suspensão do leilão dos aparelhos da planta de amônia

Ministério Público Federal pode requerer suspensão do leilão dos equipamentos da fábrica de amônia em Uberaba, previsto para acontecer nos dias 21, 22 e 23 de novembro

Gisele Barcelos
Publicado em 31/10/2017 às 06:59Atualizado em 16/12/2022 às 09:25
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André Santos/PMU

Prefeito Paulo Piau esteve ontem com o procurador da República Thales Messias Pires para discutir a situação da planta de amônia

Ministério Público Federal pode requerer suspensão do leilão dos equipamentos da fábrica de amônia em Uberaba, previsto para acontecer nos dias 21, 22 e 23 de novembro. A medida foi discutida ontem, durante reunião entre o procurador da República Thales Messias Pires e o prefeito Paulo Piau (PMDB).

Na semana passada, o procurador já instaurou procedimento preparatório para apurar possíveis danos ao patrimônio público devido à paralisação das obras da planta em Uberaba. Após a divulgação do edital do leilão dos equipamentos, o procurador abriu prazo de cinco dias para a Petrobras explicar a publicação que estabelece os critérios para a venda de equipamentos da planta de amônia.

Para o procurador, a perda dos recursos públicos já investidos na obra é grave. Além disso, existe ainda o impacto social na comunidade. Por isso, ele informa que o Ministério Público pode solicitar a suspensão do processo. “Podemos, sim, ajuizar uma ação para interromper [o leilão]. Estou aguardando a resposta da Petrobras, já estive em contato com outros colegas em outras localidades e vamos avaliar a questão do patrimônio público, dos impactos sociais, econômicos e podemos avançar fortemente para ajuizar uma ação”, manifesta.

De acordo com o prefeito, a venda dos equipamentos da fábrica é uma afronta não apenas à comunidade de Uberaba e região, mas para o país. Ele afirma que a Petrobras vai “sucatear” os recursos que foram investidos na unidade local. “Que a Petrobras não quer mais investir no ramo, é uma decisão dela, mas temos investidores privados interessados e, portanto, o que queremos é tratamento igualitário, não a venda fatiada. Queremos que seja inserida na venda conjunta como fábrica, pois dessa maneira existem interessados no modelo de negócio que é estratégico para o Brasil”, argumenta o chefe do Executivo.

O prefeito também ressaltou que, além de equipamentos, foram investidos recursos para a execução da terraplenagem, emissão da licença ambiental e até mesmo no treinamento de empresas interessadas na cadeia produtiva da fábrica. “A Petrobras possui aqui um ativo do povo brasileiro e que não pode ser entregue de forma fatiada e a preço de banana”, defende.

Mesmo com a ação da Procuradoria da República para barrar o leilão, o prefeito salienta que vai continuar com as articulações políticas para a inserção da UFN-5 na venda em bloco de ativos de fertilizantes da Petrobras. “Essa é uma luta por tratamento igualitário em algo estratégico para um país que importa a maioria do seu fertilizante”, declara.

O prefeito já esteve com o presidente da República, Michel Temer (PMDB), na semana passada para solicitar que o leilão seja suspenso e que a fábrica de amônia em Uberaba seja comercializada nos mesmos moldes das unidades de Três Lagoas (MS) e Araucária (PR), que estão sendo vendidas em bloco e como negócio. No caso da unidade de Uberaba, somente os equipamentos estão sendo comercializados e a decisão sepultaria os esforços para a retomada do empreendimento pela iniciativa privada.

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