A Câmara Municipal de Uberaba (CMU) cobrou informações referentes à não-realização do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, em razão dos cortes orçamentários. O requerimento foi encaminhado ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valdir Moysés Simão, solicitando explicações sobre o assunto.
No documento, o ministro é questionado sobre as providências para que essa defasagem não afete esse setor da economia. “A pesquisa aborda questões como a segurança alimentar, agricultura familiar e informações macroeconômicas, como preço dos alimentos e balança comercial. Portanto, é de fundamental importância para o setor. Dessa maneira, a não-realização da pesquisa e consequente atualização dos dados podem prejudicar o diagnóstico e análise da realidade agropecuária brasileira”, diz o texto do requerimento.
De acordo com o IBGE, o orçamento da pesquisa foi reduzido de R$330,8 milhões para R$ 266,9 milhões. A direção do IBGE informou que estava tentando obter, no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, os recursos para o censo e para a compra de equipamentos necessários à pesquisa, mas não obteve sucesso. Por isto, o concurso de seleção para os profissionais que trabalhariam no censo também foi cancelado. O dinheiro da inscrição será devolvido. O censo foi adiado para uma data ainda a ser definida, já que o levantamento depende de recursos orçamentários.
Safra. Apesar da suspensão do Censo Agrícola, o IBGE divulgou a sexta estimativa de 2016 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, que totalizou em 191,8 milhões de toneladas e recuou 8,4% (ou menos 17,6 milhões de toneladas) quando comparada a 2015 (209,4 milhões de toneladas). Em relação à avaliação de maio, a queda foi de 2,1% (menos quatro milhões de toneladas).
A estimativa da área a ser colhida (57,5 milhões de hectares) recuou 0,1% (-105.923 hectares) frente a 2015 (57,6 milhões de hectares). Em relação a maio, houve recuo de 0,3% (-146.847 hectares). Arroz, milho e soja são os três principais produtos deste grupo e, somados, representaram 92,4% da estimativa da produção e 87,4% da área a ser colhida. Em relação a 2015, houve acréscimo de 2,8% na área da soja e reduções de 1,2% na do milho e de 9,4% na de arroz. Já as avaliações de produção são negativas: -0,6% para a soja, -12,2% para o arroz e -18,0% para o milho.