O Ministério de Minas e Energia anuncia nesta quinta-feira (30) a reestruturação da Política de Comercialização do Gás Natural da União, medida que busca ampliar a oferta do insumo no mercado, aumentar a concorrência e reduzir custos para a indústria. Para Uberaba, a iniciativa pode impulsionar o setor de fertilizantes e fortalecer o projeto de um polo gás-químico no Triângulo Mineiro, embora seus efeitos dependam da expansão da malha de gasodutos até a região.
A nova política permitirá que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) defina as condições de acesso às estruturas de escoamento e processamento quando não houver acordo entre a PPSA e a Petrobras, viabilizando os primeiros leilões do gás da União.
O ex-ministro dos Transportes e ex-prefeito Anderson Adauto, que há cerca de três anos e meio defende o uso do gás nacional pela indústria de fertilizantes, avalia que a medida elimina um entrave regulatório que impedia o produto de chegar ao mercado. Segundo ele, o avanço poderá fortalecer a produção nacional de fertilizantes, mas a chegada efetiva do gás ao Triângulo Mineiro dependerá da construção de gasodutos.
Entre os principais beneficiados estão as indústrias de fertilizantes instaladas em Uberaba. Na Mosaic, o gás mais competitivo pode reduzir custos e fortalecer o polo químico local. Já para empresas produtoras de fertilizantes nitrogenados, como a Yara, o impacto tende a ser maior, já que o gás natural representa até 80% do custo de produção da amônia.
Além do setor de fertilizantes, a medida pode favorecer projetos de produção de amônia, ureia, hidrogênio e combustíveis de baixo carbono, além de segmentos como siderurgia, mineração, alimentos, papel e celulose e geração de energia. A redução do preço do gás, porém, não será imediata, pois ainda depende da regulamentação, dos leilões da PPSA e da ampliação da infraestrutura de transporte.