Ainda colocado como o candidato ideal ao governo de Minas Gerais pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Rodrigo Pacheco (PSD) aguarda ainda um projeto estruturado vindo do Palácio do Planalto para convencê-lo a disputar as eleições mirando o Executivo mineiro. A leitura é feita por aliados, que acompanham as movimentações do parlamentar para, em alguns casos, também definirem o futuro político.
Enquanto Lula prepara uma última conversa com Pacheco nos próximos dias para costurar uma candidatura no estado, o parlamentar tem deixado o futuro em aberto ao seu grupo político. Não há ainda uma data para a reunião entre os dois, mas em dezembro, em Belo Horizonte, Lula disse sobre o senador que a 'esperança é a última que morre'.
Um aliado, que classifica Pacheco como ‘enigmático e reservado’ quando o assunto é a corrida eleitoral de 2026, diz que 'tudo pode acontecer, inclusive nada’, ao se referir às possibilidades do senador em entrar na corrida ao governo de Minas ou deixar a vida pública. A alternativa foi aventada pelo próprio parlamentar ao final do ano passado, quando foi preterido por Lula para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um outro aliado, porém, destaca que pesa para a indecisão de Pacheco a ausência de um projeto sólido de Lula para que ele se coloque como candidato ao governo. A avaliação é de que, em uma eventual vitória, o senador precisaria de um forte apoio do governo federal para governar Minas Gerais. A situação fiscal do estado é um ponto de preocupação e há um temor de que um eventual mandato possa ficar engessado.
Vale lembrar que Minas Gerais tem uma dívida de R$ 205 bilhões, conforme o último boletim da Receita Estadual. Só à União, o estado deve mais de R$ 182 bilhões, valor que já está sendo equacionado por meio da adesão no final do ano passado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) - iniciativa que teve forte atuação de Pacheco. “Pegar um estado nessa condição é difícil. Até agora, o Lula só disse a ele: ‘eu preciso que você seja candidato’. Mas isso não convence. Hoje quem precisa do Rodrigo é o Lula, e não o contrário”, resumiu um aliado reservadamente.
Dentro do chamado projeto que Pacheco aguarda de Lula, segundo integrantes do grupo político do senador, há ainda a necessidade de um projeto político para uma eventual derrota na disputa ao Palácio Tiradentes. Pacheco tem o desejo de assumir uma cadeira no STF, mas uma indicação ministerial em um eventual segundo mandato de Lula também é bem avaliada. “Se ele não tiver uma sinalização, qual a razão para ajudar o Lula?”, questionou o aliado ao lembrar o apoio e exposição de Pacheco a Lula antes da indicação de Jorge Messias ao STF.
Caso decida por não concorrer ao governo de Minas, inclusive, Pacheco deve voltar à advocacia com um escritório em Brasília.
E se virar candidato?
Por outro lado, decidindo por se lançar nas eleições em Minas Gerais, o senador, inicialmente, buscará outro partido, já que o PSD terá o vice-governador Mateus Simões como candidato ao Palácio Tiradentes. Neste cenário, o União Brasil é o destino mais provável, de acordo com correligionários de Pacheco, que podem acompanhá-lo na mudança de sigla.
A legenda é vista por interlocutores como a melhor alternativa ao senador por garantir “plataforma segura, tempo de televisão e estrutura partidária”. Para ir ao União, Pacheco tem como cabo eleitoral um dos principais quadros do partido no país, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Por outro lado, o senador precisaria desatar um grande nó na empreitada, já que União e PP estão federados e, por ora, estarão no palanque com o vice-governador Mateus Simões.
A articulação coloca o atual secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP), como candidato ao Senado na chapa. Na semana passada, inclusive, Simões e Aro posaram em foto ao lado dos presidentes estaduais do União e do PP, os deputados federais delegado Marcelo Freitas (União) e Pinheirinho (PP). Além do União, outros partidos cogitados por aliados de Pacheco são MDB e PSB.
No caso do MDB, a reportagem apurou com integrantes da sigla que as chances são nulas. Pesa contra Pacheco dívidas que ele teria deixado quando ainda era da legenda na campanha à prefeitura de Belo Horizonte, em 2016. Derrotado no pleito, ele deixou o MDB em 2018 e concorreu ao Senado pelo DEM - partido que deu origem ao União Brasil. Além disso, o MDB já tem a pré-candidatura de Gabriel Azevedo anunciada para o governo de Minas.
Fonte: O Tempo.