POLÍTICA

Para Aldo Rebelo, Bolsonaro se comporta como chefe de facção

Aldo Rebelo esteve na semana que passou em Uberaba e concedeu entrevista ao programa Pingo do J

Publicado em 06/11/2021 às 19:11Atualizado em 19/12/2022 às 01:13
Compartilhar

“Eu vejo pessoas batendo à porta das Forças Armadas, pedindo a ditadura. Quem vai querer uma ditadura para si?”

“A corrupção vem da deformidade, da morbidez e da doença que atinge as pessoas, independentemente da ideologia e da facilidade que ela pode encontrar”

“O erro do Governo foi negligenciar, menosprezar a situação. O Presidente, ao invés de agir como um líder, chamar os governadores, prefeitos, faculdades, ficou desmoralizando a doença, dizendo que é gripezinha, que dá Aids, enfim”

“É paradoxal que o Brasil seja colocado no banco dos réus no debate mundial sobre clima”

Por Wellington Cardoso/Márcio Gennari/Luiz Henrique Cruvinel

Foto/Jairo Chagas

Ex-ministro de Ciência & Tecnologia, Esportes, Relações Institucionais e Defesa nos governos de Lula e Dilma, o ex-deputado Aldo Rebelo se apresenta agora como pré-candidato à sucessão de Jair Bolsonaro, de forma independente, ainda sem filiação partidária. Ele esteve em Uberaba, quando participou da programação da Megacana Tech Show, na quarta-feira (3), e proferiu palestra no curso da Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra (Adesg), na quinta (4). Durante entrevista aos jornalistas Márcio Gennari e Wellington Cardoso Ramos, no programa Pingo do J, Rebelo falou sobre a sua pré-candidatura e da disposição de propor um projeto que possa unir o Brasil e fazer com que a economia volte a crescer. Ele nega a se classificar como terceira via, movimento a que classifica como “nada”. Aldo critica posturas antidemocráticas do governo de Jair Bolsonaro e a falta de diplomacia do país em se fazer reconhecido nas questões ambientais na Cop26. O ex-ministro avalia que no Brasil houve muitas mortes desnecessárias durante a pandemia. “Bolsonaro errou muito, atrasou a vacinação, desorientou a população, criou situação hostil com governadores, ex-ministros”, afirmou. Confira a íntegra da entrevista.  

Jornal da Manhã - Como é ser pré-candidato sem partido? Se concorrer com uma base já é difícil, e como independente?

Aldo Rebelo - A independência é provisória, porque terei que entrar em um partido. Como o Brasil passa por um rearranjo político, com fusão de partidos, eu preferi esperar, porque isso me permite, até o começo de 2022, examinar melhor o quadro partidário do país. A minha candidatura independente não tem nenhum prejuízo para a plataforma, existem ideias que eu pretendo para o Brasil que não serão alteradas se eu entrar em um partido. O próprio Bolsonaro está sem partido, então não é uma decisão incisiva.

JM - Em termos de propostas, o senhor está mais alinhado à postura da esquerda ou se apresenta como uma terceira via?

Aldo Rebelo - Eu não sou terceira via. Ela já está engarrafada. A terceira via eu acho que não é nada, é uma retranca, uma legenda, para quem é contra o Bolsonaro e contra o PT. Agora, um candidato à Presidência que não tem nada a falar para os eleitores de Bolsonaro e do Lula não deveria ser pré-candidato. Ser contra tudo não é proposta, não é ideia. Eu acho que o Brasil está unido pelos problemas. Quando você vê uma fila no posto de combustível, não tem duas filas: uma pro Bolsonaro e uma pro Lula. O país é unido pelo problema e dividido pela solução. Tem que achar um caminho para explicar que a união faz a força. Parece que o país dividido é natural, quando não deveria.

JM – Um só mandato seria suficiente para mudar essa perspectiva?

Aldo Rebelo - Sim. Porque é suficiente para apresentar uma agenda para o país, uma energia política que interesse a todos. Retomar a economia interessa para todo mundo? Lógico que sim. Quem vai gerar lucro para o país se não a economia voltando a gerar emprego e impostos? Quem vai diminuir as desigualdades? É o Brasil retomando o crescimento. E isso não está em debate. As pessoas cuidam das agendas de interesses individuais, em detrimento das políticas sociais. Eu defendo o Brasil voltar a crescer, combater desigualdades. Eu vejo pessoas batendo à porta das Forças Armadas, pedindo a ditadura. Quem vai querer uma ditadura para si? A democracia é errônea? Sim. Mas é sempre melhor melhorá-la. 

JM - E essa ameaça à democracia é real?

Aldo Rebelo - Olha, o Presidente não está ameaçando os opositores? Não está incitando ódio a uma determinada classe de pessoas? Não tem cidadãos pensando em invadir o STF? O Supremo tem problemas e defeitos que têm de ser enfrentados politicamente, não com ameaças de invasão. 

JM - Isso chega a abalar a estrutura do STF?

Aldo Rebelo - Não, o que também não é uma coisa boa, porque mostra que ninguém leva a sério o que o Presidente diz. Virou uma coisa banal, não é levada em conta. O Presidente da República não é um líder empresarial, não. É um líder político, social e até espiritual. Quando as pessoas estão mal, elas olham para o Presidente. Quando há pandemia, problema de desemprego, o Presidente tem que ser o fator de unidade do país, se comportar como chefe. Ele não pode se comportar como se não tivesse esse compromisso, como se fosse chefe de uma facção. Eleito Presidente, é Presidente de todos.

JM - O que levou Bolsonaro a vencer a eleição?

Aldo Rebelo - Quando nos escombros da política não sobrou mais nada, da poeira surgiu a imagem dele, associada aos militares. Ele vem deste meio, apesar de que alguns militares tentaram expulsá-lo. E as pessoas pensaram “quem sabe é a solução?”, já que a política se corrompeu. As pessoas votaram no Bolsonaro por razões parecidas às que votaram no Lula, para resolver o que outros tinham estragado. Mas ele não tinha experiência de gestão, ficou cuidando de agendas restritas na Câmara por anos, e quando o país apareceu com todos os problemas ele teve dificuldade.

JM – O senhor acha que a população foi tão enganada assim? Ou o Brasil mostrou uma face escondida?

Aldo Rebelo - Acho que não, não é possível. É o mesmo eleitor. As pessoas votaram em busca do mesmo objetivo, da solução dos problemas. Ninguém votou enganado, as pessoas votam acreditando que as coisas serão resolvidas, como segurança, desemprego, desigualdade. E nem sempre o candidato que alimenta essa expectativa está preparado. Não é “eu não fiz porque não quero”, é “não fiz porque não sei”. O governante às vezes não faz o melhor porque não está preparado. Não acredito que as pessoas façam tudo por má-fé. A pior coisa dos homens na política é quando erram por estarem enganados pelas próprias ideias. Quando você erra pelas suas próprias convicções, que é o principal caso, é pior. O Brasil é um país muito difícil, desajustado, desigual. Se você tem dificuldade de compreender uma família, imagina um país todo.

JM - Tem clima para acontecer o mesmo fenômeno ano que vem?

Aldo Rebelo - O eleitor vai por necessidade de buscar um caminho. Ele não vai viver na desilusão o tempo inteiro. E algumas ideias duram só por um instante. Quando você elege uma pessoa imatura, despreparada, as pessoas pensam em outras. Acho que essa vai ser a forma que as pessoas vão pensar em 2022.

JM - Como o senhor vê a postura de acabar com o Bolsa Família?

Aldo Rebelo - O auxílio, em si, independente do nome, é uma necessidade. O auxílio emergencial, durante a pandemia, alcançou 60% da população, entre os beneficiados e os dependentes. Tinha mais gente no auxílio emergencial que no trabalho formal. O auxílio é uma necessidade. O Brasil não consegue se recuperar, a economia não cresce, não gera renda, o ganha-pão. Você bate às portas da Prefeitura e tem muita gente atrás de emprego. No Brasil se tem a mania de trocar nome de tudo. A história e a memória não servem para nada. Então, todo governante quer ter seu nome. Por que não dar continuidade no nome de algo que deu certo? Se o Lula fez algo que deu certo, por que não manter? Querem mudar o nome de tudo, principalmente se deu certo, para dizer que o antecessor não foi o responsável. É uma falta de respeito.

JM - Mas, neste caso, houve prejuízo na mudança estrutural do programa?

Aldo Rebelo - Quando você muda programas que deram certo, tiveram visibilidade, você tem que levar em conta que as consequências podem tornar sem efeito todos os aspectos positivos que o programa anterior tinha. Ninguém cria programa do nada, vai reunindo experiências anteriores. Você tem bases de onde partir. Acho uma tragédia tentar mudar tudo.

JM - Isso não ajuda a manter aquela ideia de que o cidadão não acredita em político, por que toda hora estão mudando projetos e programas anteriores? Auxilia nesse descrédito?

Aldo Rebelo - Contribui, mas não é o fator mais importante. O mais importante é o resultado. Política é como futebol, se ganhar, os erros ficam ali, pairando sem atenção. Se perder, aí tá condenado, mesmo que tenha a melhor das intenções. O problema do Brasil é o fracasso. Fracassamos na economia. O Brasil não cresce. O Brasil há 30 anos tinha 30% da renda na indústria, hoje não tem 10%. Então, eu acho que é o fracasso que condena a política e os políticos. Aí tem os erros, a corrupção, a irresponsabilidade, os desvios. A eleição é uma coisa, a seleção é outra. A eleição consegue escolher os políticos, mas ela é insuficiente para fazer uma boa seleção. Além da eleição, há um critério de seleção, não é qualquer viajante que governa uma cidade, um estado ou país. No Brasil existem critérios de eleição bons, mas de seleção, não.

JM - Seria necessário ter uma pré-seleção?

Aldo Rebelo – Os partidos tinham que ter os critérios. Nos EUA tinham “anciões” nos dois partidos que ficavam responsáveis pela seleção dos melhores nomes. Era um filtro partidário. Não é a negação da eleição, é um critério complementar. Você tem a seleção para evitar que pessoas completamente despreparadas cheguem a atuar em cargos de responsabilidade.

JM – O senhor diria que os partidos são irresponsáveis?

Aldo Rebelo - Não, porque não é essa a palavra que define a situação. Eu acho que os partidos não têm nem consciência deste problema e deste risco. Eu vejo o caso dos EUA que eles retiraram os filtros, pesos, balanços, da seleção com a excelente intenção de democratizar. No “qualquer um pode”, eles tiraram os filtros e agora um sujeito se apresenta como pré-candidato do partido Republicano, vê que não dá e corre para o Democratas, porque ele não está interessado em ideias, quer apenas ser eleito.

JM - A pandemia revelou, de forma eficiente, a necessidade que o Brasil tem de uma renda mínima, não é?

Aldo Rebelo - A pandemia piorou o que já estava ruim: a distribuição de renda. Não sei como, em uma situação destas, os bilionários continuam a ganhar mais dinheiro. O Brasil tem a fila dos desempregados, a fila para pedir comida e a fila para comprar jatinhos. Isso não pode acontecer. A classe média perde a renda, os pobres perdem a renda e os bilionários continuam lucrando. É claro que isso não pode acontecer. Não pode ter um boteco fechando e um bilionário ganhando dinheiro na bolsa. Essa situação não pode perdurar.

JM - O senhor foi um dos entusiastas do Código Florestal no Brasil. O Brasil cumpre o que o mundo espera em termos ambientais?

Aldo Rebelo - Cumpre muito além da expectativa. É paradoxal que o Brasil seja colocado no banco dos réus no debate mundial sobre clima. Mais de 80% da energia no Brasil vem das chamadas energias verdes, não dos combustíveis fósseis que poluem. É a energia hidrelétrica, biomassa, a cana-de-açúcar, os biocombustíveis. E isso nós fortalecemos com o Código, cujo relator inicial fui eu, e o final, o deputado Paulo Piau. E nós oferecemos ao mundo a legislação mais avançada no planeta. Agora, quando você não tem diplomacia, que não apresenta as nossas conquistas, não apresenta o que temos, vamos parar no banco dos réus. Temos uma diplomacia tosca que não consegue explicar ao mundo que nós somos o país que mais desenvolveu mecanismos e instrumentos de acordo com a expectativa do mundo. A Conferência de Glasgow foi um fiasco porque dois grandes protagonistas não compareceram: China e Rússia. E, também, porque os investimentos em energia renovável foram muito abaixo do que se esperava. O inverno europeu e americano cobrou muita energia e não tinha disponível. A energia verde não aparece do nada, tem que ter minério, produção, cobalto, investimento. E eles não fizeram. Essa transição dos combustíveis fósseis para energia verde vai demorar muito mais do que o mundo imagina. Menos no Brasil, porque há 100 anos nós temos usina de etanol, temos energia sustentável.

JM - Nos últimos anos, estamos ouvindo sobre o aumento do desmatamento na região da Amazônia. Isso não contribui para que o Brasil sente no banco dos réus?

Aldo Rebelo - É preciso tirar os véus das histórias do desmatamento e das queimadas. Primeiro, tem queimada criminosa e ilegal? Tem. Toda é? Não. Em São Paulo, até um dia desses você veria fuligem da queimada de cana legal nas rodovias. No Nordeste ainda se queima cana de forma legal. Esse é um tipo de queimada. Você tem outra que é sazonal, acidental. 

JM - Muitos não se aproveitam do sazonal para tacar fogo de forma criminosa?

Aldo Rebelo - E tem a criminosa, residual. O satélite que vê o ponto de fogo não diz que é criminoso.

JM - Mas, de qualquer forma, tem a redução da floresta, não?

Aldo Rebelo - É insignificante. O Estado do Amazonas tem três vezes a área da França e sete vezes a área da Itália. Mais de 97% está do jeito que Deus criou, que Pedro Álvares Cabral encontrou. O resto está igual. Por exemplo, 80% do Estado do Amapá são parques e terras indígenas. Dos 20% restantes, 80% têm que ser reservados para proteção ambiental. Em Roraima, 70% são parques e terras indígenas. Então, como você diz que a Amazônia está em processo de desmatamento irreversível? O Brasil tem tecnologia, produtor rural e conhecimento. Ninguém tem Embrapa no mundo, só o Brasil. O desmatamento tem que ser combatido, mas tem que valorizar o que o Brasil tem. A Amazônia, do tamanho que é, não vale nada? Não tem incentivo para proteger a área? A diplomacia brasileira tem que ser ativa para defender os nossos interesses, mas, como o Brasil brigou com o mundo inteiro, não dá. Estamos isolados. Nós maltratamos governantes e nós desempenhamos mal o aspecto diplomático.

JM - A postura do atual governo prejudica a imagem do Brasil no mundo?

Aldo Rebelo - Não creio. O que se aproveita no mundo são os erros do atual Governo. Ninguém governa um país com preferências pessoais, mas com relações entre Estados. Se o Chile escolher um governo de esquerda ou direita, é um problema deles. Nós temos que nos relacionar. Aqui não, resolveram que são relações ideológicas. Se o país pensa igual eu penso, ótimo, se não, não converso. Isso é uma irresponsabilidade. “Ah, mas a China é governada pelo partido comunista”, mas os chineses importam grande parte dos nossos produtos. Não vamos manter uma boa relação?

JM – Caso consiga ser eleito Presidente, qual seria sua forma de combater a corrupção?

Aldo Rebelo - A corrupção nunca foi atribuição exclusiva de ideologias. A corrupção vem da deformidade, da morbidez e da doença que atinge as pessoas, independentemente da ideologia e da facilidade que ela pode encontrar. A lei, além de ser dura, tem que ser aplicada. Claro que não vou aqui defender modelos que se praticam em outros países, como a pena de morte, mas o Brasil precisa agir com rigor. E esse rigor deve atingir o responsável, independente da sua ideologia. Dizer que foi só um partido é loucura. Nós tivemos o caso, agora, com essa CPI da Covid, com a compra irregular de equipamentos, vacinas, que atingiu um monte de partidos. Acho que você tem que se pautar pelo exemplo. Eu fui presidente da Câmara dos Deputados e todas as minhas contas foram aprovadas sem reparos. Acho que a corrupção tem que ser combatida, pois descredencia a política, e por essa razão é um mal para a democracia.

JM - Qual a avaliação do senhor sobre o comportamento do atual Governo em relação à pandemia?

Aldo Rebelo - Nós tivemos muitas mortes desnecessárias porque a vacinação poderia ter começado em dezembro de 2020. Nós demoramos e, ao demorar, deixamos que a pandemia avançasse. De qualquer maneira, como temos tradição na vacinação, quando começamos, andamos rápido. Tanto que a terceira onda não atingiu o Brasil. Nós temos hoje mais pessoas vacinadas no Brasil do que, percentualmente, nos EUA e na Inglaterra. O erro do Governo foi negligenciar, menosprezar a situação. O presidente, ao invés de agir como um líder, chamar os governadores, prefeitos, faculdades, ficou desmoralizando a doença, dizendo que é gripezinha, que dá Aids, enfim. Isso desorienta a população, que começa a rechaçar a ciência. Ele não é médico, não é especialista. Ter essa postura influencia negativamente as pessoas. Bolsonaro errou muito, atrasou a vacinação, desorientou a população, criou situação hostil com governadores, ex-ministros. Acho que o Presidente agiu de forma desorientada nesse processo. Não ajudou.

JM - Tivemos, em Uberaba inclusive, médicos que não se vacinaram. É este o efeito?

Aldo Rebelo - Quando eu digo que o Presidente é líder, não administrador, é isso. Quando temos a ciência do mundo todo dizendo que a vacinação é a única saída, vem um Presidente, que nunca pisou em uma faculdade de Medicina, dizendo que tudo isso é diferente. O governante tem a responsabilidade de silenciar no que não compreende, deixar que a ciência diga o que deve ser feito. Se alguém passa mal em um avião, a comissária pergunta se há um médico a bordo, e não um engenheiro.

JM - O senhor acredita em um governo de coalizão das forças progressistas para 2022?

Aldo Rebelo - Eu defendo um governo de união nacional. Todas as forças têm um progresso a apresentar. O chefe da família não divide os problemas ideologicamente, é universal, geral. Quando você precisa fazer algo que não é bom, você também faz de forma igual. No interesse nacional, você tem que dividir?

JM - Outros nomes, da terceira via, teriam essa capacidade?

Aldo Rebelo - O Brasil tem 1/3 da política que quer botar o Lula de volta na prisão. Outro 1/3 quer botar o Bolsonaro em uma jaula e mandar a um congresso internacional para julgamento. E o resto quer botar os dois na cadeia. E isso não vai resolver o problema do Brasil. O Brasil tem que se unir em torno do nacionalismo, da valorização da democracia, da diminuição da desigualdade. Senão fica todo mundo puxando de um lado.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por