São Carlos foi o primeiro a ser defendido quando houve o anúncio da construção da fábrica de amônia em Uberaba
Ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Murilo Ferreira considera a proposta de trazer gasoduto de São Carlos para o Triângulo Mineiro a mais viável economicamente. O ramal de São Carlos foi o primeiro a ser defendido quando houve o anúncio da construção da fábrica de amônia em Uberaba, mas acabou deixado de lado por alternativas de Ribeirão Preto e Belo Horizonte.
Murilo ressalta que não está acompanhando as articulações em torno do gasoduto e da fábrica de amônia atualmente. No entanto, ele posicionou que considerava a alternativa de São Carlos a mais viável quando estava envolvido no processo, durante a gestão no conselho da Petrobras. “Essa proposta [de São Carlos], desde o início, achei que tinha mais sensibilidade econômica. Eu sei que muitas vezes os interesses políticos são grandes e havia interesse de cortar Minas [com um gasoduto], mas vai vender para quem?”, manifesta. Questionado se o impasse em torno do gás sepultou a implantação da fábrica, o executivo avalia que a situação pode ter sido um fator importante, mas não decisiva.
Murilo ressalta que a Petrobras enfrenta um problema de fluxo de caixa por causa da queda do preço do petróleo e o cenário determinava o corte de investimentos. “A queda forte de geração de caixa da empresa certamente impede a Petrobras de ter programa de investimentos da dimensão que estava programado. Tinha montante expressivo de investimento, baseado fluxo de caixa com petróleo a 100 dólares/barril. Na hora que ocorre a perda de receita, não poderia fazer os projetos conforme planejado e tem que reduzir ao máximo. Nesse contexto, os projetos de exploração e produção de petróleo são prioridade porque são origem da empresa e o que sustenta todo o portfólio. A situação de Uberaba estaria complicada de qualquer forma”, pondera.
Em relação à possibilidade de o governo estadual encampar o projeto da fábrica de amônia e viabilizar um investidor privado para construir a unidade, Murilo afirma não ter informações sobre a proposta. Ele apenas salienta que existem dificuldades para investir no Brasil e assumir um projeto em fase de construção pode não ser tão atrativo para o mercado. “Investimentos sobre ativos já existentes, como o leilão das usinas hidrelétricas, você pega a chave e começa a faturar no dia seguinte. Agora um ativo a fazer é outra história. O empreendedor vai ter receita daqui dois, quatro, seis anos”, finaliza.