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No impeachment de Dilma, o deputado Caio Narcio se enrolou na bandeira do Brasil; para defender Temer, alegou apenas votar pela estabilidade
O cenário era o mesmo, onde pouco mais de um ano atrás os deputados federais autorizaram a abertura do processo de impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Mas o enredo, desta vez, foi diferente. O mandato de Michel Temer (PMDB) foi preservado, em que pese ele não ter se livrado da acusação de corrupção passiva. Pode responder ao processo após o encerramento do mandato.
Ao invés dos discursos acalorados em defesa da moral, da família e do povo, falas mais comedidas, e a tal da estabilidade econômica e a recuperação do emprego foram a tônica da defesa para que a Câmara Federal não autorizasse o Ministério Público Federal a processar Temer.
Talvez uma figura simbolize bem a nova figuração na votação ocorrida em Brasília: deputado federal Caio Narcio (PSDB). Quando do impeachment, o jovem parlamentar foi ao plenário envolto em uma bandeira do Brasil, forçando as lágrimas, clamou pela juventude, falou dos ensinamentos do pai e do avô sobre honestidade. Mas, na votação sobre o pedido de abertura do processo criminal contra Michel Temer, estava lá um parlamentar comedido, que não seguiu a orientação do líder da bancada de votar contra o parecer que pedia arquivamento da autorização. Caio manteve Temer no Palácio do Planalto em nome da estabilidade econômica.
Também com menos energia desprendida, Marcos Montes (PSD), Aelton Freitas (PR) e José Silva (SD) fizeram o que deles se esperava: votaram a favor de Temer. Apenas Adelmo Carneiro (PT) votou contra o relatório que pedia o arquivamento da autorização para investigação do presidente.
Também não deixou de ser curioso o argumento com o qual outros parlamentares justificaram seus votos pró-Temer. O deputado Marco Feliciano, por exemplo, votou em favor do relatório argumentando que a derrota de Temer significaria “a volta do PT ao poder”. Fica a pergunta: não precisa de uma eleição antes? O deputado Victório Galli, do PSC de Mato Grosso, votou por Temer e contra a “identidade de gênero” nas escolas. O deputado Ezequiel Teixeira, do PTN do Rio, votou “contra o comunismo”. Apoiadores de Temer tentaram ressuscitar o surrado antipetismo para mantê-lo ocupando o Palácio do Planalto.