A proposta que prevê o fim da escala 6x1 avançou no Senado após receber parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O senador Omar Aziz (PSD-AM) defendeu a aprovação integral do texto e rejeitou as 12 emendas apresentadas, mantendo a proposta exatamente como foi aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados.
A decisão é importante porque, caso o texto seja aprovado pela CCJ e posteriormente pelo Plenário sem alterações, a proposta poderá seguir diretamente para promulgação, sem precisar retornar à Câmara.
A PEC 221/2019 prevê a redução gradual da jornada máxima semanal, atualmente fixada em 44 horas, até chegar a 40 horas. A proposta também garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
A mudança não seria imediata. O texto estabelece uma transição gradual:
Nos primeiros dois meses após a promulgação, o limite permanece em 44 horas semanais;
Depois, a jornada passa para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado;
Após um ano, o limite chega a 40 horas semanais, com jornada diária máxima de oito horas.
Na prática, a mudança consolida um modelo semelhante à escala 5x2 para a regra geral.
O texto também prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde e segurança pública, permitindo ajustes nos dias de descanso. Já trabalhadores classificados como hipersuficientes poderão negociar modelos diferentes diretamente com os empregadores.
Em seu parecer, Omar Aziz argumenta que o limite de 44 horas semanais está previsto na Constituição desde 1988 e não foi alterado nas últimas décadas, apesar das mudanças na economia, na tecnologia e nos modelos de trabalho.
Para o senador, a redução da jornada pode trazer impactos positivos para a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o tempo destinado à família, à qualificação profissional e a outras atividades.
O relator reconhece que a mudança exigirá adaptação por parte das empresas, mas defende que a transição gradual permitirá uma reorganização do mercado de trabalho.
A expectativa é que a proposta seja analisada pela CCJ durante o esforço concentrado do Senado, previsto entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro.
Se for aprovada na comissão, a PEC poderá seguir para o Plenário do Senado. Por se tratar de uma mudança na Constituição, serão necessários dois turnos de votação e o apoio de pelo menos 49 senadores em cada um deles.
Se o Senado aprovar exatamente o mesmo texto já validado pela Câmara, a proposta poderá ser promulgada sem uma nova votação pelos deputados.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho também acompanha mudanças adotadas em outros países. Chile e Colômbia já reduziram gradualmente suas jornadas semanais, enquanto o México aprovou neste ano uma transição para o limite de 40 horas.