POLÍTICA

Paulo Piau avalia dois anos de seu governo e anuncia obras para 2019

Prefeito coloca a falta do gás e de voos como deficiências que atrasam o desenvolvimento de Uberaba

Gisele Barcelos
Publicado em 31/12/2018 às 06:36Atualizado em 17/12/2022 às 16:51
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Foto/ Arquivo

Prefeito Paulo Piau fala de suas angústias por não conseguir avançar com as obras iniciadas e assegura retomada de grandes projetos

Encerrando a primeira metade do governo, o prefeito Paulo Piau fez uma análise sobre o mandato até agora, em entrevista exclusiva ao Grupo JM de Comunicação. O chefe do Executivo destacou os problemas enfrentados por causa da falta de repasses do governo estadual, mas ressaltou que a Prefeitura conseguiu manter os serviços essenciais em funcionamento.

Piau também garantiu, na entrevista, a conclusão de obras que vêm caminhando com execução lenta, como a avenida Interbairros e o viaduto na BR-050, próximo ao Jardim Maracanã. O prefeito ainda posicionou que, apesar do aperto financeiro do município, novas obras devem ser iniciadas em 2019 a partir de recursos de financiamento.

Além disso, o chefe do Executivo informou que articulações estão em andamento para tentar viabilizar mais voos para o aeroporto de Uberaba. Ele também assegura que projetos como o gasoduto e o aeroporto internacional de cargas serão tratados com os novos governantes em âmbito estadual e nacional para não acabarem na gaveta.

Jornal da Manhã – Como o senhor avalia este ano de governo e os entraves por causa das dificuldades financeiras?

Paulo Piau – A gente pegou um período difícil de recessão. Começamos o novo mandato em 2017 com crescimento pequeno na economia brasileira e isso reflete no emprego, na pressão da sociedade. Tem mais gente pedindo vaga em escola pública e deixando o plano de saúde para utilizar o SUS. Então, é uma pressão maior em cima do Poder Público. Com tudo isso, deixamos a escola ativa e de qualidade. Teve deficiências no atendimento, mas ainda num nível satisfatório em relação ao Brasil. Continuamos com atividades essenciais, recolhendo o lixo, fornecendo água e tratando o esgoto. Não paramos nenhum serviço. Fizemos no Esporte e na Cultura menos do que eu gostaria, mas também com ações. Dentro da realidade da crise brasileira, acredito que Uberaba se saiu bem porque tem gestão de recursos financeiros. Não brincamos com dinheiro do contribuinte. Criamos um comitê de eficiência de gestão na Prefeitura e atuamos bastante na Saúde e Educação, que têm, juntas, R$500 milhões de orçamento/ano.

JM – O que o senhor queria ter cumprido ao longo de 2018 e não conseguiu?

PP – As minhas angústias envolvem as obras porque incomodam a comunidade. As pessoas passam todos os dias perto da Interbairros, na Univerdecidade, e imagino que criticam o prefeito por não dar conta de terminar uma rua. Mas as pessoas não sabem como está o Brasil hoje para licitar e dar andamento a uma obra pública, nem a relação com empreiteiro, que também está enfrentando dificuldades. Muitas empresas estão com problemas financeiros. Outra angústia é terminar a construção da passagem inferior para a travessia nas BRs 262 e 050, que não avança. Não é por culpa da Prefeitura, mas por culpa do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que não deslancham e não têm ‘sangue nos olhos’ para nos ajudar. Talvez o que mais me incomodou este ano foi a lentidão no desenvolvimento de determinadas obras importantes em Uberaba.

JM – Para 2019, o uberabense pode esperar a conclusão dessas obras?

PP – Pode sim! Vamos terminar a Interbairros e fazer o viaduto sobre a estrada de ferro para interligar o bairro Nenê Gomes à avenida das Torres. Todo o complexo será entregue no próximo ano.

JM – E o viaduto na BR-050, próximo ao Jardim Maracanã? Tem como fazer compromisso de concluir a obra paralisada há mais de um ano?

PP – Tem. Inclusive existe dinheiro em caixa. É um convênio com o DNIT, anterior ao meu governo. É uma questão meramente burocrática e que não depende de Uberaba. Se dependesse, fazíamos tudo. O governo federal, com sua lentidão, acaba nos prejudicando. Mas vai terminar, com certeza.

JM – O início de novas obras em Uberaba está previsto, apesar do quadro financeiro crítico?

PP - Vamos iniciar muitas obras por causa dos recursos de uma linha de financiamento que conseguimos. Vamos trabalhar com quase R$100 milhões em várias frentes e começaremos obras importantes para a cidade. Vamos fazer muita coisa em termos de regularização de córregos e drenagem. Uberaba tem 30 pontos de inundação de chuvas e pretendemos atacar isso. Tem ainda um empréstimo que a Câmara não aprovou em 2018, mas ainda estou com a expectativa de nesses dois anos a Câmara refletir a importância do contrato para consertarmos o piso do BRT da avenida Leopoldino de Oliveira e recapear Uberaba. Além disso, a expectativa para 2019 é de implantação da iluminação de LED e de um estudo global para a reestruturação do trânsito.

JM – Em relação ao trânsito, o senhor prometeu este ano que a onda verde funcionaria nas avenidas principais da cidade em 2018, o que não aconteceu. Como está o processo para implantação?

PP – O BRT é um projeto que mexe com a vida da comunidade. A implantação é lenta, tem muitas coisas para ajustar e uma delas é o trânsito. Vamos contratar uma consultoria porque o assunto é muito complexo. Temos engenheiros bons de trânsito na Prefeitura, mas nem sempre quem está de dentro consegue ver uma solução. Então, estamos com um processo licitatório na etapa final para trazer gente especializada em trânsito para corrigir os gargalos. Ao invés de fazer modificações pontuais, tomamos a decisão de contratar a consultoria para fazer um projeto global envolvendo os sinaleiros e todo o complexo de trânsito em torno do BRT.

JM – A onda verde, então, vai aguardar o término do projeto da consultoria?

PP – Vai sim! Vai demorar um pouco mais, porém faremos mudanças da forma correta.

JM – Há projetos que vêm sendo discutidos desde o mandato anterior, como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Vai sair do papel?

PP – Tem coisas que dependem de Uberaba e outras, de questões externas. A parte que cabe ao município para avançar é realizar 10% de investimento na infraestrutura. Vamos fazer o portal e as vias de acesso. Agora, do jeito que está a legislação atual, a ZPE vai continuar empacada. Existem mudanças sendo discutidas no Congresso Nacional para reduzir de 80% para 60% o índice da produção voltada à exportação. Aguardamos a última votação na Câmara Federal. Vamos ver se com o novo governo será mais célere o andamento.

JM – Mas tem um prazo até junho de 2019 para realizar a infraestrutura básica da ZPE... A Prefeitura vai fazer as obras ou pedir prorrogação para esperar a definição no Congresso sobre as mudanças na lei?

PP – Não. Já vamos fazer as obras iniciais de infraestrutura na ZPE, com nossas forças e nossas máquinas. Vamos dar o nosso sinal. Não vamos fazer os 10% da infraestrutura, mas faremos os primeiros serviços para que tenha a placa sinalizando a existência da ZPE. Está tudo pronto da nossa parte do ponto de vista burocrático, mas, com a lei que temos hoje, também não vem empresa. Não adianta criar a ZPE se não tiver interesse dos investidores. Se a legislação não mudar, não teremos ZPE.

JM – Nem as articulações com empresas chinesas favorecem a ZPE?

PP – O chinês é louco com ZPE, mas quando ele vê que a legislação não serve... Também não coloca o dinheiro dele em algo que não vai dar retorno. Então, o Brasil precisa ter pressa para acertar a legislação. Precisamos vencer a resistência da Zona Franca de Manaus e da Fiesp, ou não teremos investidores para a ZPE. Simples assim.

JM – Falando em exportação, como fica o projeto do aeroporto internacional de cargas, devido à mudança de comando no governo federal?

PP – Essa região do rio Grande e rio Paranaíba é um grande eixo logístico brasileiro e por que não dizer da América Latina. O aeroporto faz parte. Nenhum aeroporto da nossa região se transformará no terminal de cargas. Nem o de Uberaba, nem o de Uberlândia e nem o de Ribeirão Preto. São aeroportos dentro de cidades e sem capacidade de ampliação, voltados para a aviação regular. Temos que pensar grande e criar um aeroporto protegido para não ter conflito depois com área residencial, como é o nosso Distrito Industrial 3 e o projeto Intervales. O estudo está praticamente pronto. Já nos entregaram relatórios e, agora, vamos trabalhar junto a quem tem interesse. E interesse tem demais, de empresas russas, chinesas e até brasileiras. Esperamos deixar tudo bem encaminhado até o fim do governo em 2020 e de forma irreversível.

JM – O gasoduto também?

PP - Temos um estudo com a Fundação Getulio Vargas que é sobre a necessidade da chegada do gás à região do Triângulo Mineiro. Temos perdido um investimento atrás do outro em Uberaba, Uberlândia e Araxá, por falta do gás. Se tem uma coisa importante para atrair mais investimentos e gerar mais empregos, chama-se gás. Tínhamos uma reunião ainda este ano para tratar o assunto com o governador eleito, Romeu Zema, mas precisamos desmarcar. Uma nova agenda está programada para o dia 9 de janeiro para mostrarmos esse estudo.

JM – Enquanto o aeroporto internacional não se consolida, qual o destino do terminal Mário de Almeida Franco? Havia um projeto de adequação, inclusive com desapropriações de imóveis na área. Ainda será feito?

PP – Não podemos desistir de um projeto enquanto não tiver outro seguro. O Ministério Público Federal está desenvolvendo esse projeto e o procurador Thalles Messias, permanentemente, está chamando a Infraero, a Secretaria de Aviação Civil, os moradores da região e a Prefeitura para tratar a questão. É o órgão correto para dirimir esses conflitos. O decreto de utilidade pública para a desapropriação dos imóveis venceu e não renovamos. O procurador está preocupado com isso e deve fazer uma recomendação para continuarmos com o decreto de utilidade pública. Estamos esperando a decisão dele, mas precisamos de mais voos. São duas coisas deficientes em Uberaba: a falta do gás e de voos. Tem pouca disponibilidade e passagem cara. Isso é uma trava no nosso desenvolvimento.

JM – O senhor tenta articular com o pessoal da Azul a oferta de mais rotas?

PP – Tenho conversado com os dirigentes da Azul, permanentemente, mas a aviação brasileira é cara. É o querosene mais caro do mundo, impostos altos e o governo não tem controle sobre as companhias aéreas, que fazem o que querem para viabilizar algum voo. É uma política que tem de ser mudada radicalmente no Brasil. Acredito que entraremos uma nova era de repensar o atendimento ao interior do Brasil. O governo Dilma Rousseff começou a pensar nessa questão, houve a reforma de aeroportos e até a proposta de subsídios para fortalecer a aviação regional, mas não avançou. Acredito que o tema voltará no governo Bolsonaro, porque faz parte do desenvolvimento nacional.

JM – E as conversas com a Gol, alguma sinalização de voos por Uberaba?

PP – Eles disseram que, no segundo semestre de 2018, tinha a possibilidade de fazer um voo de Uberaba para São Paulo, mas, com a crise e a dificuldade das companhias aéreas, passaram para 2019. Claro que vamos retomar a questão agora para tentar voos para São Paulo, principalmente Guarulhos, para a cidade ter acesso a outras regiões do mundo. 

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