Debate sobre a saída do PMDB do governo Dilma Rousseff (PT) marcou a convenção nacional do partido ontem em Brasília. O assunto não chegou a ser colocado em votação
Valter Campanato/Agência Brasil
Debate sobre a saída do PMDB do governo Dilma Rousseff (PT) marcou a convenção nacional do partido ontem em Brasília. O assunto não chegou a ser colocado em votação, mas foi defendido pela maioria das lideranças que discursaram no evento.
A pauta oficial se restringiu a reeleger Michel Temer como presidente nacional da sigla, para mostrar a unidade do partido em torno de seu nome. Quanto ao rompimento com o governo Dilma, apenas foi acordado que a cúpula do PMDB vai decidir sobre a continuidade ou não da aliança no prazo de 30 dias. Ainda assim, a convenção já está sendo considerada como aviso prévio do abandono à aliança com o PT.
Presente à reunião partidária, o prefeito Paulo Piau avalia que uma decisão não foi anunciada de imediato ontem porque a situação exige cautela. Além da entrega de cargos em ministérios, ele ressalta que um eventual rompimento com o governo Dilma poderá causar repercussão nos Estados, como em Minas Gerais, onde o partido compõe a aliança majoritária junto com o PT. “Nenhuma medida foi tomada agora porque o entusiasmo pode não ser inteligente. Por isso, será esperado 30 dias para amadurecer e tomar rumo seguro”, acrescenta.
Piau salienta que os Estados têm independência e ainda será preciso analisar como será o posicionamento do governador Fernando Pimentel (PT) caso o PMDB decida realmente deixar a composição nacional.
Questionado, o prefeito não quis se manifestar se concorda ou não com o rompimento da aliança com o governo Dilma. Ele disse apenas que seguirá a diretriz do partido. “Eu sou pequeno. Então, para onde o partido caminhar daqui 30 dias, estou junto. Não tenho opção”, argumenta.
Mesmo assim, o peemedebista espera que, se o PMDB confirmar a saída do governo federal, não ocorra prejuízo aos projetos do município que aguardam liberação nos ministérios ou à transferência de recursos. “Brasil tem ‘ene’ governadores e prefeitos da oposição. Nem por isso vão à bancarrota. Tem uma governabilidade que é estável. Vamos analisar. Espero que não prejudique os caminhos de Uberaba”, encerra.