Vereadores e o prefeito Paulo Piau (PMDB) voltam a reunir-se hoje para tratar do pagamento a entidades diversas das emendas parlamentares previstas no orçamento vigente e também no de 2013. Na segunda-feira eles tiveram mais uma rodada de negociação em torno do tema, quando o chefe do Executivo propôs pagá-las a partir de janeiro do ano que vem.
Para o relator da Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara, vereador Samuel Pereira (PR), as emendas não serão liberadas. “No meu entendimento, a reunião não terá valor porque a Prefeitura não tem dinheiro”, disparou o republicano, que é da base aliada do prefeito. Segundo ele, que num primeiro momento avaliou que Piau está enrolando os vereadores “há muito tempo” e depois recuou na colocação, falta uma posição definitiva do Executivo.
“A Bíblia fala que é melhor dizer sim ou não para não ser prejudicado mais à frente. Mas ele [PP] não fala, canso de pedir...”, assinala Samuel, pontuando que na reunião de segunda-feira com o prefeito os vereadores foram informados que “a PMU está apertada, sem condições financeiras”. Nesse sentido, Samuel diz observar que estão “custando a preparar dinheiro para pagar o 13º”.
A polêmica em torno do pagamento das emendas parlamentares ressurgiu após a leitura em plenário, semana passada, de um parecer da Procuradoria Geral do Município. O documento foi elaborado com base em recomendação do Ministério Público (MP) de que as emendas ao orçamento vigente não podem ser pagas por causa do ano eleitoral.
Ainda ontem o secretário de Governo, Wellington Cardoso reiterou, através de nota ao Jornal da Manhã, a recomendação do MP de suspender a liberação das emendas por causa do envolvimento direto de vereadores no pleito. O próprio Samuel candidatou-se a deputado estadual, cita.
“Pode até ser discutível o entendimento, e, por isso, o momento é de se buscar, em conjunto, vereadores e Executivo, uma saída. Virar as costas à situação não leva a nada. O diálogo é sempre importante e aguardamos para a reunião desta quinta-feira todos aqueles que estão dispostos a dar sua colaboração para que haja entendimento”, conclui o secretário, na nota.
Samuel diz que não irá á reunião porque não acredita “mais em nada; estou falando a verdade e em política tem que ser sincero”. Quanto às insinuações de que o município estaria sem recursos para pagar o 13º, a assessoria de imprensa informa que “a Prefeitura irá se posicionar no momento oportuno”.