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Pix é apontado como prática comercial prejudicial aos EUA, segundo governo Trump

Sistema de pagamentos instantâneos Pix passou a integrar oficialmente a lista de práticas comerciais questionadas pelo governo dos Estados Unidos

Maria Clara Lacerda/O Tempo
Publicado em 02/06/2026 às 08:50
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O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou a integrar oficialmente a lista de práticas comerciais questionadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Em decisão divulgada na madrugada de segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu que políticas brasileiras relacionadas aos serviços de transferência financeira prejudicam empresas americanas e podem ser alvo de medidas comerciais.

A conclusão faz parte da investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O processo analisou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção, desmatamento ilegal e serviços de pagamento eletrônico.

O que os EUA dizem sobre o Pix

No relatório, o USTR afirma que o Brasil "desfavoreceu injustamente" empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico. Segundo o órgão, políticas adotadas pelo país favoreceriam um "campeão nacional" do setor, referência ao Pix, sistema criado e administrado pelo Banco Central.

Embora o documento não detalhe quais medidas específicas seriam discriminatórias, a investigação sustenta que o governo brasileiro adotou políticas que beneficiam o sistema nacional de pagamentos em detrimento de concorrentes estrangeiros.

A crítica ecoa reclamações apresentadas por empresas americanas de cartões e meios de pagamento durante a investigação. O setor argumenta que o Banco Central teria criado condições favoráveis para a expansão do Pix, reduzindo espaço para serviços privados concorrentes.

Investigação durou quase um ano

A apuração foi iniciada em 15 de julho de 2025 por orientação direta de Trump em reação a uma suposta "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante o processo, o USTR promoveu consulta pública, realizou audiências e ouviu mais de 30 testemunhas. Também foram recebidos mais de 295 comentários e manifestações de empresas, entidades e interessados.

Ao final da investigação, o governo americano concluiu que determinadas políticas brasileiras são "irracionais ou discriminatórias" e representam um ônus ou restrição ao comércio dos Estados Unidos. 

Governo brasileiro nega favorecimento

O governo brasileiro já rejeitou as acusações de tratamento preferencial ao Pix. Desde o início da investigação, autoridades brasileiras argumentam que o sistema foi desenvolvido para ampliar a concorrência, reduzir custos de transações financeiras e aumentar a inclusão bancária, sem impedir a atuação de empresas privadas nacionais ou estrangeiras.

As críticas dos Estados Unidos ocorrem em meio à consolidação do Pix como principal sistema de pagamentos do Brasil. Dados do Banco Central mostram que mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram a ferramenta, o equivalente a cerca de 80% da população. Apenas em janeiro de 2026, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações por meio do sistema.

O volume financeiro movimentado pelo Pix também chama atenção. Segundo o Banco Central, o sistema já ultrapassou R$ 3 trilhões em movimentações mensais. O recorde diário foi registrado em 5 de dezembro de 2025, quando foram processadas 313,3 milhões de transações em um único dia.

Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o Pix se tornou um dos maiores sistemas de pagamentos instantâneos do mundo e passou a competir diretamente com meios tradicionais de pagamento, como cartões de crédito, cartões de débito e transferências bancárias. É justamente essa expansão acelerada que está no centro das reclamações apresentadas por empresas americanas de pagamentos ao governo dos Estados Unidos.

Possíveis consequências

A inclusão do Pix entre as práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano fortalece o argumento utilizado pelo governo Trump para justificar eventuais medidas de retaliação comercial contra o Brasil. Como resposta à investigação, o USTR propôs um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil. 

O USTR ainda realizará uma nova rodada de consultas públicas antes da publicação do relatório definitivo, prevista para julho. A decisão final sobre possíveis sanções ou tarifas caberá ao presidente americano.

Fonte: O Tempo

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