POLÍTICA

Polícia Federal aponta que Pimentel usou empresas de fachada para financiar campanha

Ao todo, as práticas criminosas do grupo resultaram em repasses de mais de R$ 6 milhões

Publicado em 23/10/2017 às 15:40Atualizado em 16/12/2022 às 09:36
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Em uma das frentes da Operação Acrônimo, Polícia Federal conclui que o círculo mais próximo de Fernando Pimentel (PT) atuou para obter vantagens indevidas ao então candidato petista e também doações durante a campanha eleitoral ao governo de Minas Gerais em 2014. No relatório, a esposa de Pimentel, Carolina de Oliveira, também está incluída. Ao todo, as práticas criminosas do grupo resultaram em repasses de mais de R$ 6 milhões, segundo o relatório da PF concluído em 21 de setembro. Desses, R$ 3,2 milhões teriam sido provenientes de empresas de fachada e os outros R$ 2,8 milhões pela consultoria da primeira-dama mineira.

No documento da PF, a delegada responsável pela investigação, Denisse Dias Rosas Ribeiro, aponta Fernando Pimentel como coordenador de organização criminosa. Assim, a delegada pediu autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para indiciar o petista, já que ele tem prerrogativa de foro. Relator Herman Benjamim é quem irá decidir pela autorização ou não do indiciamento. Ainda, para que os crimes investigados no inquérito policial resultem em processo, é preciso que a Procuradoria-Geral da República apresente denúncia.

Acrônimo. As investigações da Operação Acrônimo começaram em maio de 2015 e já originaram três denúncias contra Pimentel. Ele é acusado de solicitar e receber propina para o favorecimento de interesses de empresas no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e no BNDES. Pimentel foi ministro da pasta entre 2011 e 2014, durante o governo da também petista Dilma Rousseff. As três denúncias imputam a Pimentel crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade de documento particular e tráfico de influência. Ainda, Pimentel teria atuado em benefício das construtoras Odebrecht e JHSF e da montadora de automóveis Caoa.

Primeira-dama. Carolina de Oliveira foi indiciada pela PF acusada de receber R$ 2,8 milhões do Grupo Casino que seriam para Pimentel. Segundo os investigadores, o então ministro teria atuado, em 2011, em favor dos interesses do grupo Casino, que pretendia barrar a fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour. Pimentel, então, teria influenciado o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a incluir cláusula no acordo que impediu o financiamento para a fusão. Em troca, o Casino teria repassado o dinheiro para a empresa de Carolina, a OLI Comunicação. À época, o Casino disputava o controle do Grupo Pão de Açúcar com o empresário Abílio Diniz. Coutinho também foi indiciado pela PF. Ainda no domingo, a primeira-dama declarou se sentir indignada com as conclusões da PF, afirmando que as acusações são inverídicas e absurdas. Em sua defesa, Coutinho afirmou que suas decisões sobre a tentativa de fusão “estiveram dentro da mais absoluta legalidade e lisura”.

Defesa. Fernando Pimentel divulgou comunicado acusando a PF de impor seu ponto de vista às investigações, à revelia do que diz o Ministério Público Federal. “A Operação Acrônimo se tornou anacrônica, do ponto de vista probatório. Sobram deduções, faltam provas”, declarou o advogado do governador.

*Com informações de O Globo

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