Prefeito lava as mãos e diz que não vai interferir na greve dos funcionários do Codau. Em assembleia realizada na ultima segunda-feira, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Purificação de Água e Esgoto de Uberaba (Sindae) não aceitou a contraproposta apresentada pelo Codau e comunicou o início da greve dentro de 72 horas.
De acordo com o prefeito Anderson Adauto, tudo começou a partir do momento em que foi concedido um plano de saúde aos servidores da prefeitura. Como os funcionários do Codau já tinham assistência médica, não houve necessidade de conceder o benefício a eles. “Então, quando isso aconteceu, os servidores do Codau inventaram que tinham de ter uma vantagem também. Mas não vou me envolver neste assunto de greve, não sirvo para isso, não é desrespeito, cada um tem seu estilo, e se eles estiverem trabalhando, eu converso, se não tiver, não tem conversa”, afirma o prefeito.
A proposta apresentada pelo Codau, segundo o presidente da autarquia, José Luiz Alves, garante um ganho real efetivo de 33% sobre o salário-base de R$545 para que os servidores passem do regime de 6h para 8h diárias. “O que nós propusemos foi o limite e com certeza vai gerar um impacto muito grande nos recursos do Codau”, afirma o presidente, ressaltando que a negociação continua.
Por sua vez, o presidente do Sindae, Jasminor Francisco da Costa, afirma que o motivo do movimento não tem nenhum envolvimento com o plano de saúde. Na verdade, a categoria está com salário defasado há mais de oito anos. “Queremos 20% de aumento no salário, mas a proposta que eles fizeram é totalmente indevida e vergonhosa e, por isso, optamos pela greve”, explica.
Anderson comentou ainda que a autarquia sempre pagou horas extras, até de forma excessiva, sendo que existem servidores com trabalho braçal que recebem até R$1.500 por conta destas horas. “Por isto o Codau está abrindo novas vagas e chamo interessados para se inscrever, precisamos de gente para trabalhar, como encanador, operador de produção e auxiliar de serviços operacionais”, afirma o prefeito. Além disso, Anderson, assim como José Luiz, nega que a realização deste processo seletivo seja para esvaziar o movimento grevista. “Eles [funcionários do Codau] acham que vão ficar de greve e eu de braços cruzados? Tenho obrigações a cumprir com o abastecimento de água!”, afirma Anderson.