A saída de Uberaba da “Onda Roxa” ainda repercute, mesmo após 21 dias da reabertura de alguns setores. Na última sexta-feira (30), foi divulgado um novo decreto em que a única mudança notável é a volta do passe-livre em tempo integral para idosos. As decisões da gestão municipal dividem opiniões.
Em entrevista à Rádio JM, o presidente da Câmara Municipal de Uberaba, vereador Ismar Marão, afirma que até dentro da Casa algumas opiniões divergem. E, o vereador ainda afirma que, apesar da participação do Legislativo nas reuniões do Comitê Técnico de Enfrentamento à Covid-19, a abertura ainda é pequena.
“Participam o vereador Caio Godoi, eu e o presidente da comissão de saúde, o professor Wander. Somos ouvidos, mas pouco daquilo que a gente solicita está sendo efetivamente acolhido pela prefeitura. No que fomos acolhidos, foram algumas situações pontuais, como solicitação da vacinação no Boa Vista. Alguns detalhes ela (a prefeita Elisa Araújo) fez, mas a maioria dos pedidos ainda na Câmara infelizmente ainda não foram acolhidos pelo Executivo”, lamenta Marão.
O vereador ainda pontua que a questão mais importante e que tem assustado os vereadores é em relação aos números relacionados a Covid-19 que não param de subir, e nem pretendem, segundo a matemática Michelle Maldonado, do Observatório Covid-19. Já é observado uma estagnação no alto nível de mortes e contaminação pela Covid em Uberaba. “A professora Michelle Maldonado, três dias antes do decreto ser publicado, avisou na reunião do comitê que os números ainda são assustadores, avisou que os números iriam subir e falou que não entendia a flexibilização, já que naquele dia nós estávamos pior do que quando nós fechamos, 15 dias antes no começo da ‘Onda Roxa'", afirma Ismar.
O presidente da Câmara ainda contou que, inclusive, houve discordâncias sobre a reabertura entre o próprio Executivo. “Foi consultado o vice-prefeito, que também manifestou que era contrário de naquele momento haver uma flexibilização do jeito que estava sendo previsto, e eu manifestei da mesma forma. Mas, foi feito do jeito que a prefeita achou prudente fazer. Inclusive, o meu questionamento quando o secretário de Saúde estava no Pingo do J, se o posicionamento dele era técnico e cientifico vocês todos ouviram a resposta dele. Então se a gente tem um comitê com doutores, com cientistas, com pessoas técnicas que estão avisando “vai acontecer isso” e a decisão é uma decisão política, a gente realmente não tem como não estar contra esse tipo de posicionamento”, relata o vereador.
Após esse relato do vereador Ismar Marão e a subsequente sobre a saída do vice-prefeito Moacyr Lopes do comitê na última sexta-feira, ficou um questionamento sobre a motivação da saída. Para a equipe da Rádio JM, o Governo Municipal afirmou que não iria comentar sobre o assunto, assim como o vice-prefeito que se restringiu a afirmar que sua saída foi técnica.