Em ofício o presidente do Partido Social Liberal (PSL), Thiago Silva, comunicou a renúncia do comando da legenda em Uberaba
Em ofício enviado ontem à Mesa Diretora da Câmara, o presidente do Partido Social Liberal (PSL), Thiago Silva, comunicou a renúncia do comando da legenda em Uberaba. Decisão surgiu após as acusações do vereador Jorge Ferreira (PMN) de que o jovem teria possíveis influências nos trabalhos de investigação. Isto porque o primeiro suplente do acusado, Kaká Se Liga, é de seu partido e, também, por namorar a filha do vereador Luiz Dutra, que preside a Comissão Processante, que já começou a apurar as denúncias de assédio sexual e improbidade administrativa contra o vereador. “Não tenho culpa das acusações que pesam contra Jorge Ferreira e nem vejo impedimento e nem falta de ética namorar a filha de Dutra. Mas, para não gerar dúvidas e desconfianças no trabalho da comissão, prefiro me afastar do PSL”, afirma Thiago Silva. O vereador Jorge Ferreira, segundo Thiago, cometeu um equívoco ao nominá-lo suplente na coligação, que verdadeiramente é o apresentador de TV Edicarlo Carneiro, mais conhecido como “Kaká Se Liga”. A partir de hoje, o PSL é presidido pelo empresário Luiz Antônio Sisconetto. Dutra lamentou a decisão, respeitando, contudo, a atitude de Thiago Silva. Dúvida. O vereador Jorge Ferreira, ao afirmar na tribuna do Legislativo na última segunda-feira (9) que as acusações contra ele detêm conotação política, acabou dando um tiro no próprio pé. Ele considera que, por não ter votado em Lourival dos Santos (PCdoB) para a presidência da CMU, criou uma disputa política com os seus apoiadores, o chamado G-7 (grupo dos sete). Entretanto, dois integrantes da Comissão Processante pertencem à base a que se aliou a Jorge Ferreira na eleição da Mesa Diretora. São eles Cléber Cabeludo (PMDB), que concorreu à presidência, e o petista José Severino Rosa, que, segundo um observador político, não houve supostas alegações que o vereador acusado possa ser “protegido” por eles. Denominação correta. Desde a instalação da Comissão Processante, dúvidas suscitaram se o rito estaria correto. De acordo com o procurador-geral da Câmara, Raphael Miziara, o Regimento Interno em seu artigo 25 é claro, não permitindo segundas interpretações. “As denúncias foram encaminhadas diretamente à Presidência e não à Comissão de Ética, e neste caso o presidente deve levá-las ao Plenário, e, caso acatadas, como foram, abre-se de imediato a Comissão Processante”, esclareceu Miziara. Ainda segundo o procurador, se as denúncias tivessem sido encaminhadas à Comissão de Ética, esta sim faria os levantamentos preliminares e, após isso, o resultado seria colocado em votação em Plenário para a abertura da processante, o que não foi o caso. “O presidente era obrigado a levar a questão ao Plenário logo na primeira reunião após a denúncia, sob pena de responsabilidade”, analisou o advogado, que salientou que não existe mais na Câmara a figura da Comissão Especial de Investigação e, posteriormente, a Comissão Processante. O assessor jurídico enfatizou ainda que as únicas questões que poderão ser questionadas perante o Poder Judiciário é a “eventual vulneração de referidos princípios de ampla defesa, não ocorridos nesta situação”, finalizou.