Comparecimento às urnas será cruzado com dados do INSS e dispensa outra comprovação de vida; campanha de Lula tenta estimular presença de eleitores com mais de 70 anos
A participação nas eleições de 2026 também poderá ser utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como prova de vida automática para aposentados, pensionistas e beneficiários de outros benefícios previdenciários e assistenciais.
A regra não foi criada pela campanha eleitoral. O INSS já utiliza o comparecimento às urnas como uma das formas de comprovação de vida por meio do cruzamento de dados com a Justiça Eleitoral. Quem votar não precisará apresentar o comprovante de votação ao instituto nem realizar outro procedimento para essa finalidade.
Segundo o Ministério da Previdência Social, o sistema atualmente abrange cerca de 40 milhões de beneficiários ativos. Caso o beneficiário não vote, o INSS continua utilizando outras bases de dados para tentar confirmar automaticamente que a pessoa está viva. A regularização só é solicitada quando não é encontrada nenhuma fonte de comprovação.
A possibilidade de o voto servir como prova de vida passou a ser explorada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, como parte da estratégia para estimular a participação dos eleitores com mais de 70 anos.
Nessa faixa etária, o voto é facultativo. A campanha tem feito apelos públicos para que idosos compareçam às urnas nas eleições deste ano.
O grupo representa cerca de 17 milhões de eleitores, segundo dados citados pela CNN Brasil. Em 2022, mais da metade dos eleitores com mais de 70 anos não compareceu às urnas.
Lula mencionou a importância da participação desse público em discursos recentes, inclusive em eventos realizados em Guarulhos (SP) e Florianópolis (SC).
A campanha também criou um cadastro chamado “geração Lula”, voltado à distribuição de conteúdos por canais de informação, e passou a incluir propostas direcionadas à população idosa em suas ações eleitorais.
A comprovação de vida do INSS deixou de depender, como regra, de um procedimento presencial. O instituto realiza o cruzamento de diferentes bases de dados para identificar movimentações que demonstrem que o beneficiário está vivo.
Entre os registros utilizados estão votação nas eleições, emissão de documentos, atualizações no Cadastro Único, acesso ao Meu INSS e outras movimentações em bases governamentais.
Em 2024, dados da Justiça Eleitoral registraram eventos relacionados a 20,9 milhões de beneficiários, o que resultou na atualização de aproximadamente 5 milhões de provas de vida.
A medida permite que o beneficiário que comparecer às urnas tenha a comprovação feita automaticamente, sem precisar realizar uma etapa adicional junto ao INSS.