Proposta de reforma da Previdência ainda não provocou corrida por aposentadoria no Ipserv (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Uberaba). A avaliação foi feita pelo presidente do instituto até então, Evaldo Espíndola.
De acordo com Espíndola, aproximadamente 200 servidores teriam os critérios necessários para buscar aposentadoria, mas a procura ficou dentro da média dos últimos anos, em torno de 20 solicitações. “Temos pessoas se aposentando, mas não vejo movimento maior desde que começou a falar da reforma. Por enquanto, não houve anormalidade”, salienta.
À frente do Ipserv até o encerramento do mandato, Evaldo avalia que o tíquete-alimentação pode ser um fator que retarda os pedidos de aposentadoria, pois o valor do benefício não é incorporado nos cálculos da aposentadoria.
Para Espíndola, o servidor prefere esperar por causa da perda de poder de compra. Ele exemplifica que, para o servidor com salário de R$2.000, o tíquete representa um extra de 25% na renda mensal. “Temos um tíquete de R$500. Tenho certeza que isso inibe alguns pedidos de aposentadoria porque a pessoa pensa na hora de aposentar sobre a perda. Aí o funcionário espera mais tempo para completar mais um quinquênio, pois essa gratificação receberá na aposentadoria”, ressalta.
No entanto, Evaldo pondera que a movimentação no Ipserv poderá aumentar no início de 2017 com a retomada do debate sobre a reforma da Previdência no Congresso Nacional. “Ao ver exatamente o que a lei vai estabelecer, pode ser que o pessoal comece a correr atrás da aposentadoria”, acrescenta.
Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em dezembro, a Proposta de Emenda Constitucional 287, que trata da Reforma da Previdência, seguirá para análise de uma comissão especial a ser criada na Câmara dos Deputados. Como parte de um acordo entre líderes partidários, essa comissão especial só será instalada após o recesso parlamentar e a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara, em fevereiro.