Contrariando expectativas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a renovação na Câmara dos Deputados foi de 43,5%, e não de até 53%, como previsto. O percentual é menor do que o verificado na última eleição para a Casa, em 2010, quando a dança das cadeiras chegou a 46,4%. Historicamente, a média de substituição na Câmara fica sempre em torno de 40% a 50%.
Mas, conforme o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, o resultado das eleições de domingo revelou a consolidação de parlamentares conservadores como maioria na Câmara. O aumento de militares, religiosos, ruralistas e de outros segmentos mais identificados com o conservadorismo reflete esse novo status, diz, assinalando que “o novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964".
Apenas quatro dos 32 partidos políticos registrados na Justiça Eleitoral (PSTU/PCB/PCO/PPL) não elegeram representantes para a próxima legislatura na Câmara Federal. Outros seis (PHS/PTN/PTC/PSDC/PRTB/PSL), que não ocupam nenhuma cadeira na Casa, estarão representados na próxima legislatura, que na prática terá a participação de 28 agremiações, ante as 22 da atualidade.
O PT manterá a maior bancada na Câmara, com a eleição de 70 deputados federais, seguido do PMDB, com 66 deputados. No entanto, ambos encolheram em relação às eleições de 2010, quando fizeram, respectivamente, 88 e 71 cadeiras. O PSDB fez a terceira bancada e terá 55 representantes na Casa.
Os partidos que apoiam a presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida pela reeleição (PT/PMDB/PSD/PP/PR/Pros/PDT/PCdoB/PRB) elegeram 304 deputados, 36 a menos do que a atual base governista na Câmara com 340 cadeiras. Já as legendas que apoiam a candidatura de Aécio Neves (PSDB) para presidente (PSDB/PMN/SD/DEM/PEN/PTN/PTB/PTC/PTdoB) fizeram 130 parlamentares, onze a mais dos atuais 119.
Aécio e Dilma disputam o segundo turno das eleições gerais de 2014 que será realizado no dia 26 de outubro. A Agência Câmara de notícias informa, contudo, que todos esses resultados ainda são provisórios, porque até a data da diplomação dos eleitos, em 19 de dezembro, a Justiça deverá julgar recursos das candidaturas indeferidas por problemas como falta de quitação eleitoral ou de documentação, ou por enquadramento na Lei da Ficha Limpa.