Ontem, o réu Clésio Andrade enfrentou interrogatório de 1h30 no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, onde negou as acusações
Reprodução
Clésio Andrade ontem no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, antes do interrogatório de uma hora e meia
Ontem, o réu Clésio Andrade (PMDB) enfrentou interrogatório de 1h30 no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, onde negou as acusações. Ele é acusado de participar de desvio de verbas para beneficiar a candidatura à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais, em 1998. Ele concorria como vice e, no interrogatório, afirmou ter feito campanha paralela investindo R$3 milhões não declarados.
Na ação conhecida como mensalão mineiro, Clésio Andrade responde pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro por ter, supostamente, tentado ocultar recursos recebidos do empresário Marcos Valério, sócios da agência de publicidade SMP&B. Segundo a denúncia, foram desviados R$3,5 milhões, a título de patrocínio para os cofres da campanha.
A SMP&B Comunicação teria alimentado financeiramente a campanha, por meio de contratos de publicidade com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e o antigo Bemge. Os valores teriam sido transferidos das empresas públicas para a agência de publicidade. A verba foi declarada como patrocínio para a realização do torneio de motocross Enduro da Independência 1998.
Em depoimento, Andrade respondeu às perguntas da juíza da 9ª Vara Criminal, Lucimeire Rocha, e disse que se desvinculou das empresas das quais era sócio junto com Marcos Valério, citadas como envolvidas em transações ilícitas, em 1997, ou seja, antes dos fatos relatados. Ele ainda afirmou desconhecer sobre a movimentação financeira da campanha e de repasses entre empresas. Agora, acusação e defesa tem prazo de 30 dias para apresentar as alegações finais.
Até agora, somente Eduardo Azeredo foi condenado, em dezembro de 2015, a 20 anos e 10 meses de prisão pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi. Em 22 de agosto deste ano, o recurso será julgado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).