Ainda em Brasília ontem, o prefeito Paulo Piau (PMDB) se reuniu com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) para tratar sobre reivindicações do movimento municipalista. O encontro entre os dois peemedebistas gerou especulações sobre a indicação de Piau para um dos ministérios em eventual governo de Temer, mas o chefe do Executivo negou, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura, que tenha recebido qualquer convite.
Segundo o prefeito, a pauta da conversa foram as dificuldades enfrentadas pelas prefeituras brasileiras. Piau está na presidência da Frente Mineira dos Prefeitos e também faz parte da Frente Nacional que representa os gestores municipais. Ele explica que o vice-presidente quis ouvir as considerações a respeito de um eventual novo governo e as soluções para o enfrentamento da crise política e econômica nacional, em especial dos problemas dos municípios brasileiros.
O chefe do Executivo ressaltou ao vice-presidente que medidas do governo federal contribuíram para a dificuldade atual dos municípios. Ele citou, por exemplo, a isenção do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) para a linha branca de eletrodomésticos e para automóveis, o que acabou impactando receitas que compõem o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) – um dos principais repasses para as prefeituras menores.
Além disso, Piau revelou que um próximo encontro será agendado com Temer assim que assumir o governo, caso o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff (PT) seja confirmado no Senado. “Após a composição do novo governo, um assunto urgente é a questão fiscal. Não é possível não ter tributação para importação de fertilizantes, mas ter tributação para a produção no Brasil. Essa é uma questão fundamental para o gasoduto e para a fábrica de amônia”, declarou.
Outro assunto que deverá ser colocado em pauta é a excessiva burocracia existente no Brasil. “Gostaria de ver o Brasil destravado. Você não consegue, por exemplo, o registro de um produto na Anvisa, não consegue uma patente nesse país. Sugerimos ao presidente a criação de um grupo de trabalho para pensar como simplificar o nosso país, aliviando os empresários, os trabalhadores dessa carga burocrática. Os meios de controle exagerados estão paralisando o Brasil. Portanto, foi uma conversa bem objetiva, dentro da liberdade que tenho com o futuro presidente”, disse.
Piau espera que a possível mudança no comando do país permita a recuperação da credibilidade do país e a retomada dos investimentos. “O clima aqui em Brasília é de muita expectativa, de muita esperança de que a economia brasileira possa tomar rumo. Esse é o grande nó da posição de hoje, porque sem economia, sem geração de emprego, sem produção, o Brasil fica parado. Essa mexida traz de volta um alento aos brasileiros”, concluiu.