Ambos os delatores da JBS se entregaram no domingo (10) e ontem foram transferidos para Brasília, em cumprimento de prisão temporária, que pode ser convertida em preventiva
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Momento em que Ricardo Saud era colocado na carceragem por policiais federais, ontem, em Brasília
Presos no domingo (10), os executivos da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud foram transferidos ontem para Brasília. Os dois fizeram exame de corpo de delito e foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, onde cumprirão a prisão temporária até sexta-feira (15). Os delatores da JBS podem ser transferidos para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, caso a detenção seja convertida para prisão preventiva nos próximos dias.
Os delatores deixaram a sede da PF em São Paulo ontem, por volta de 10h30. Eles deixaram o prédio por uma saída reservada e não estavam algemados. Os executivos foram levados ao aeroporto de Congonhas em dois veículos, acompanhados por forte escolta. Eles foram transportados para Brasília em um avião da PF.
Joesley e Saud chegaram a Brasília por volta de 15h45 e foram levados à Superintendência da Polícia Federal. No fim da tarde, os dois foram conduzidos para a realização do exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Saud foi o primeiro a entrar para fazer o exame, seguido por Joesley. Ambos estavam sem algemas. Duas viaturas da PF fizeram o transporte. Os dois se recusaram a falar com jornalistas. Após o exame, os executivos retornaram à sede da PF.
Ainda ontem, agentes da Polícia Federal cumpriram cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Os mandados foram cumpridos nas residências dos dois executivos, na sede da JBS em São Paulo e também na casa do ex-procurador da República Marcelo Miller, no Rio de Janeiro.
No fim de semana, o ministro do STF Edson Fachin determinou a suspensão provisória de parte dos benefícios previstos na colaboração premiada e decretou as prisões temporárias de Joesley e Saud, atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
De acordo com Janot, um áudio de quatro horas de uma conversa entre os executivos da JBS aponta que os dois omitiram informações do Ministério Público Federal durante as negociações do acordo de delação premiada. No diálogo, eles ainda falam de suposta interferência do ex-procurador da República Marcelo Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada. A PGR suspeita que Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação. Ele estava na Procuradoria no período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da JBS.