Ex-presidente em Uberaba critica condução estadual e afirma que partido enfraqueceu atuação no interior
(Foto/Arquivo)
A saída de Sabrina Sarreta da presidência do Novo em Uberaba expôs uma série de divergências com a direção estadual da legenda, acumuladas desde 2022. Em entrevista à Rádio JM, ela criticou a condução do partido em Minas Gerais, questionou a falta de espaço para o interior e afirmou que não se reconhece mais no Novo mineiro.
Segundo Sabrina, as discordâncias começaram após decisões tomadas pela direção estadual que, na avaliação dela, teriam enfraquecido o partido nos municípios mineiros. Ela citou como exemplo a coligação firmada em 2022 e afirmou que o principal problema não foi a aliança em si, mas a forma como o Novo teria atuado dentro da composição. “Não me reconheço mais dentro do Novo de Minas”, declara. Segundo ela, o descontentamento foi crescendo ao longo dos anos.
Sabrina também criticou a condução do partido nas eleições municipais de 2024. De acordo com ela, o diretório de Uberaba trabalhava na formação de uma chapa de vereadores quando decisões tomadas em Belo Horizonte teriam prejudicado a composição local. Ela afirmou que o apoio do grupo ligado ao governador Mateus Simões à então candidatura de Elisa Araújo teria contribuído para o esvaziamento da chapa do Novo.
Ainda de acordo com a ex-presidente, o interior de Minas não recebeu espaço suficiente nas decisões da legenda. Segundo Sabrina, o diretório estadual é formado por representantes de apenas quatro diretórios municipais e o interior não teria sido sequer informado previamente sobre a eleição da direção estadual. “O Triângulo está esquecido pelo partido. O Triângulo é uma das forças motrizes desse estado. Nós não podemos ficar sem voz”, afirma.
Ao longo da entrevista, Sabrina também citou a saída de lideranças como Gleidson Azevedo e Luís Eduardo Falcão como exemplos do que considera uma perda de força do Novo em Minas Gerais. Para ela, a direção estadual deveria ter priorizado o fortalecimento da legenda nas cidades onde possuía maior presença política.
Já durante a preparação para as eleições deste ano, Sabrina afirmou que o diretório de Uberaba decidiu não lançar candidatos próprios por considerar que não teria estrutura, recursos financeiros e capilaridade suficientes para disputar as eleições em condições competitivas. O grupo passou então a discutir apoios a candidatos de outras legendas.
A situação chegou ao limite, segundo Sabrina, após um episódio envolvendo grupos internos de comunicação do partido. Ela contou que realizou um levantamento dos filiados do Novo em Uberaba e retirou de um grupo um filiado de Uberlândia que, segundo ela, é assessor de Mateus Simões. Após a retirada, teria recebido pressão para reinseri-lo. “Ele não era filiado do Novo Uberaba. Por que eu tenho que admiti-lo num grupo que é do Novo Uberaba?”, questiona.
Sabrina afirmou ainda que também solicitou materiais de campanha para candidatos do Novo, mas teria recebido apenas materiais conjuntos com Mateus Simões. Para ela, a situação reforçou a percepção de que a legenda estaria priorizando a candidatura do vice-governador em vez dos próprios candidatos.
Apesar da saída, Sabrina afirmou que ainda não definiu seu próximo destino partidário. Ela disse ter recebido convites de outras legendas, mas não aceitou nenhuma proposta até o momento.