Levantamento do jornal O Fator, assinado pelo jornalista Gabriel Ronan com base em dados da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais (Segov), aponta que Uberaba está entre os municípios mineiros que menos receberam recursos de emendas parlamentares estaduais nesta legislatura. Segundo o estudo, a cidade teve média de apenas R$ 9 por habitante em valores efetivamente pagos pelo Governo de Minas, índice muito abaixo de outras regiões do Estado.
O cenário reforça a baixa participação do Triângulo Mineiro na divisão dos recursos estaduais destinados por deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Enquanto regiões como Vale do Rio Doce e Jequitinhonha/Mucuri ultrapassam os R$ 190 por morador em emendas pagas, o Triângulo aparece abaixo da média estadual e distante das regiões mais contempladas.
Conforme o levantamento, após o Vale do Rio Doce, a região administrativa mais atendida por deputados estaduais é a dos vales do Jequitinhonha e Mucuri, com média de R$ 190 por habitante. Na sequência aparecem Noroeste (R$ 151), Zona da Mata (R$ 128), Alto Paranaíba (R$ 121), Sul de Minas (R$ 108) e Centro-Oeste (R$ 107). Já a Região Central, onde está Belo Horizonte, também aparece abaixo da marca de R$ 100 por morador.
O estudo evidencia a dificuldade de Uberaba em manter representação política própria na Assembleia Legislativa. Nas eleições de 2022, os deputados estaduais eleitos mais votados na cidade foram Bruno Engler (PL), de Belo Horizonte, Delegada Sheila (PL), de Juiz de Fora, e Leonídio Bouças (PSDB), de Pará de Minas, demonstrando que os votos dos uberabenses acabaram distribuídos entre parlamentares de diferentes regiões do Estado.
A ausência de deputados estaduais diretamente ligados a Uberaba é apontada nos bastidores políticos como um dos fatores que podem impactar na capacidade de articulação de recursos para o município, especialmente em áreas como saúde, infraestrutura e assistência social.
De acordo com a metodologia utilizada por O Fator, foram considerados todos os tipos de emendas parlamentares, incluindo as individuais, as chamadas “emendas Pix”, transferências especiais nas quais as prefeituras possuem maior liberdade para utilização dos recursos, além das emendas de blocos parlamentares.
O levantamento levou em conta apenas os valores efetivamente pagos pelo Governo de Minas às prefeituras e entidades beneficiadas. Isso porque existe um trâmite legal entre a indicação da emenda e o pagamento dos recursos, seguindo regras da Subsecretaria de Gestão de Transferências Estaduais, vinculada à Segov.
Para calcular o valor médio recebido por habitante em cada região administrativa e nos municípios analisados, a reportagem utilizou os dados populacionais oficiais do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As emendas parlamentares estão previstas na Lei Orçamentária Anual (LOA) e possuem execução obrigatória pelo Poder Executivo. Na prática, representam um dos principais instrumentos de participação da Assembleia Legislativa na destinação de investimentos públicos em Minas Gerais. Historicamente, deputados tendem a direcionar recursos para cidades e regiões onde possuem maior base eleitoral, fortalecendo vínculos políticos e atendendo demandas locais consideradas prioritárias.