POLÍTICA

Sem-teto pedem área para moradia ao prefeito Anderson

Lideranças do movimento do Cidade Ozanan pediram mais prazo para permanecer na área ou outro local para ficarem, mas o prefeito Anderson Adauto negou a possibilidade...

Gisele Barcelos
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:23
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“Queremos moradia!” Este foi o refrão das famílias que ocuparam área do município no Cidade Ozanan durante manifestação no Centro Administrativo. O grupo saiu em passeata na manhã de ontem até a Prefeitura, onde cobrou medidas do prefeito Anderson Adauto (PMDB). Líderes do movimento foram recebidos no gabinete de AA, porém não houve avanço nas negociações.

Na reunião, os integrantes pediram mais prazo para retirada do local e também solicitaram que o prefeito cedesse área, mesmo que temporariamente, para instalar as famílias até que seja lançado novo programa habitacional pela Cohagra. Claire Tatiane também argumentou que a simples inscrição no programa não soluciona o problema dos desabrigados. “Fiz cadastro há seis anos no órgão e não tive resposta. Fui conferir recentemente e meu protocolo tinha sumido na Cohagra. Tenho três filhos e nenhuma renda. Para onde devo ir?”, acusa.

Em resposta, AA garantiu apenas que todos os cadastros da Companhia serão zerados e a fila será anulada. Novo prazo para inscrições será aberto, com critérios pré-definidos. Anderson também ressaltou que as famílias podem se enquadrar no programa “Minha Casa, Minha Vida”. Ele explica que as regras permitem a inclusão de pessoas com renda de zero a três salários mínimos e a Caixa não fará seleção devido a nome sujo na Serasa ou SPC, porém os contemplados precisam honrar mensalmente com a prestação mínima de R$ 50 ou perdem a casa devido à inadimplência.

Por outro lado, Anderson voltou a repetir que as famílias que ocuparam área no Cidade Ozanan não terão preferência na fila da Cohagra e serão submetidas às mesmas análises das demais. “Não tenho como dizer que vocês terão prioridade, ou estarei estimulando a invasão de área. Vocês terão as mesmas possibilidades que os outros trabalhadores, nem mais, nem menos”, acrescentou.

O prefeito também negou pedido para cessão de área temporariamente, até que o novo programa habitacional seja lançado, e não entrou no mérito de ampliação do prazo para retirada do grupo. Segundo ele, cabe à Polícia Militar cumprir a liminar de reintegração de posse e somente o juiz Lúcio Eduardo Brito poderá decidir se será dado mais tempo aos ocupantes do terreno. “Quanto à permanência, vocês devem peticionar ao juiz. Se ele quiser dar mais tempo, tudo bem”, disse, ressaltando que se não tivesse aberto o processo para reaver a área, poderia ser acusado de crime de improbidade administrativa.

De acordo com o subcomandante do 4º BPM, major Ney, ainda não houve contato do oficial de Justiça para acompanhar o trabalho de notificação. Assim, qualquer operação de retirada só deverá ser realizada na próxima semana, se os ocupantes não concordarem em sair da área espontaneamente.

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