A garantia da imunização contra a Covid-19 não constou no ofício assinado pela prefeita, como teria sido prometido durante a reunião
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Reprodução de vídeo do presidente do Sintracol, Roberto Alexandre Vieira, mostrando o ofício, onde não consta a garantia de vacinação contra a Covid-19
Sem garantia oficial da Prefeitura de data para vacinação contra a Covid-19, os motoristas de ônibus dão início a procedimentos para paralisar atividades a partir de terça-feira (11) em Uberaba. As empresas de transporte coletivo e a administração municipal foram notificadas ontem sobre o movimento grevista.
A greve foi aprovada em assembleia realizada na quinta-feira (6) para pressionar a inclusão dos motoristas de ônibus no grupo prioritário de vacinação contra o coronavírus. No entanto, a deflagração do movimento acabou suspensa após reunião emergencial dos sindicalistas com a prefeita Elisa Araújo (Solidariedade), no mesmo dia.
Na conversa, teria sido firmado o compromisso de começar a testagem em massa para Covid-19 dos trabalhadores do transporte coletivo e a aplicação da vacina contra a Influenza na segunda-feira (10). Depois de 15 dias, foi prometido o início da imunização contra a Covid-19.
Entretanto, o cronograma discutido não foi integralmente assegurado em ofício encaminhado ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Sintracol), Roberto Alexandre Vieira. O documento apenas garantiu a testagem de Covid e a vacina da Influenza na próxima semana, sem citar data ou prazo para a imunização da categoria contra o coronavírus. “Na reunião foi falada uma coisa e no papel estava outra. Estamos indignados com a postura dos representantes da Prefeitura”, acrescentou.
O sindicalista manifestou que uma nova reunião foi realizada ontem com os representantes do governo municipal, mas o resultado não foi satisfatório. De acordo com ele, foi apenas informado que não seria possível cumprir o acordo anterior porque a vacina da Covid-19 é aplicada conforme a lista de prioridades do Ministério da Saúde. Com isso, a decisão é retomar o movimento grevista a partir de terça-feira (11).
Segundo Roberto, a categoria, inclusive, abrirá mão da vacina contra a Influenza, que seria aplicada a partir de segunda-feira (10) para os motoristas de ônibus. “A categoria está abrindo mão da vacina H1N1. Queremos da Covid. É a prioridade”, disse.
Já o secretário municipal de Defesa Social, Trânsito e Transportes, Glorivan Bernardes, posicionou que em nenhum momento houve a promessa de início da vacinação contra Covid-19 para a categoria ainda em maio. Apenas teria sido mencionado que havia tratativas em andamento para incluir os motoristas em projeto de pesquisa sobre vacinas, mas sem citar prazo.
O titular da pasta ainda argumentou que a Prefeitura é obrigada a seguir as diretrizes do Plano Nacional de Imunização e toda a remessa de vacinas já chega com os grupos prioritários a serem atendidos. Ele disse, ainda, compreender o pedido dos motoristas devido à exposição à contaminação no trabalho, mas ressalta que o descumprimento da ordem de vacinação pode resultar até na responsabilidade dos agentes públicos.
Prefeitura anuncia vacinação contra a gripe e teste da Covid
Em nota, Prefeitura anunciou a aplicação do teste de Covid-19 e a vacinação contra H1N1 para os trabalhadores de transporte coletivo na próxima semana, mas não confirmou data para a imunização contra a Covid-19.
Segundo o texto, a testagem para coronavírus e vacinação contra H1N1 acontecerão na segunda (10) e na terça-feira (11), na garagem da Líder Empresa de Transportes Ltda., localizada no bairro Olinda. Os trabalhadores deveriam dirigir-se ao local, das 8h30 às 12h e das 13h às 17 horas.
Além disso, a nota informa que o governo municipal estaria empenhado em apresentar aos governos Estadual e Federal a inclusão da categoria em projeto de pesquisa sobre vacinas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). (GB)