
Ex-vice-prefeito Moacyr Lopes integrou o grupo de estudos responsável pela análise do processo de concessão dos serviços de manejo dos resíduos sólidos (Foto/Reprodução) (Foto/Reprodução)
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) ouviu o ex-vice-prefeito Moacyr Lopes, que integrou o grupo de estudos responsável pela análise do processo de concessão dos serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos e liderava a equipe à época.
Antes de iniciar os questionamentos, o relator da CEI, vereador Luiz da Farmácia (PL), fez um pronunciamento formal ao depoente sobre declarações publicadas em redes sociais, nas quais Moacyr teria se referido a dois integrantes da comissão como “canalhas”. O parlamentar afirmou que, após mais de 65 anos de convivência em Uberaba, não se reconhecia nessa caracterização e ressaltou que nem ele, como relator, nem o presidente da comissão mereciam tal qualificação. Luiz da Farmácia disse que registrava o posicionamento para que o ex-vice-prefeito pudesse se manifestar posteriormente sobre o tema.
Moacyr Lopes não comentou a fala e passou a responder às perguntas relacionadas ao objeto da investigação.
Durante o depoimento, ele afirmou que apresentou à prefeita Elisa Araújo um estudo alternativo ao modelo de consórcio adotado para a gestão dos resíduos sólidos. Segundo ele, a proposta previa a manutenção do serviço sob responsabilidade direta da Prefeitura, com a mesma tarifa de R$1,30 prevista no edital da Caixa Econômica Federal e praticada pelo Convale.
De acordo com Moacyr, o plano de investimento teria duração de seis anos, entre 2023 e 2028, e permitiria solucionar todos os passivos ambientais do município na área de resíduos sólidos. Entre as medidas previstas estavam a recuperação do antigo lixão, a reestruturação do aterro sanitário, a construção de dez novos ecopontos e a implantação da coleta seletiva.
“Com a mesma tarifa que o Convale estava praticando, em seis anos eliminaríamos todos os problemas”, afirmou. Ele disse ainda que toda a documentação foi encaminhada ao Convale por exigência da prefeita, mas que a proposta não foi aceita.
Questionado sobre como seria feita a recuperação do antigo lixão, Moacyr explicou que o plano previa o aproveitamento da quarta célula do atual aterro sanitário. A proposta consistia em concluir e impermeabilizar essa célula, transferir para ela o material do antigo lixão, remover o solo contaminado e, posteriormente, construir uma nova célula para dar continuidade ao aterro sanitário.
O relator da CEI observou que a viabilidade da proposta dependeria da análise dos órgãos ambientais competentes. Em resposta, Moacyr afirmou que o integrante do grupo de estudos Vinícius Arcanjo concordava com a proposta e que, tecnicamente, as tecnologias disponíveis atualmente permitem esse tipo de recuperação ambiental.
Ao ser questionado se conhecia outro consórcio semelhante ao implantado em Uberaba, o ex-vice-prefeito respondeu que não e afirmou que o modelo local seria o primeiro nesse formato, embora existam experiências de recuperação de aterros sanitários em outros municípios.