Senado não terá recesso parlamentar em julho para agilizar as ações do julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) por crime de responsabilidade. A decisão foi anunciada esta semana pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), que também já transferiu oficialmente a condução do processo de impeachment para o líder do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.
Uma sala da vice-presidência do Senado foi cedida para a instalação de Lewandowski durante a fase de julgamento da presidente. A partir de agora o ministro do STF decidirá conjuntamente com a comissão de impeachment sobre como prazos e recursos referentes ao processo de afastamento de Dilma. Na próxima terça-feira (17), Lewandowski já tem reunião marcada com os dirigentes da comissão para acertar detalhes sobre a tramitação do processo.
O primeiro ato de Lewandowski na direção do processo de impeachment foi assinar o mandato de citação para Dilma, que terá até 20 dias para apresentar defesa. Nesta etapa, a comissão ouvirá testemunhas e também juntará documentos tanto por parte da defesa da presidente quanto dos autores da acusação.
Depois das alegações finais das duas partes, a comissão de impeachment dará um parecer, que será também submetido à aprovação, por maioria simples, do plenário do Senado. Se o documento for acatado, será iniciada a etapa final do processo, que é o julgamento propriamente dito em plenário.
Haverá novamente o depoimento de testemunhas, debates entre acusação e defesa e, finalmente, o voto dos senadores. São necessários dois terços, ou seja, 54 votos para Dilma perder definitivamente o cargo de presidente. O prazo máximo é de 180 dias para um posicionamento final do Senado, mas o presidente da comissão de impeachment, Raimundo Lira, revela que o trabalho deverá ser concluído em tempo menor.