Servidores administrativos e técnicos da penitenciária realizaram ato ontem, na porta da Prefeitura, contra reforma proposta pelo governo de Minas
Marcos Paulo
Servidores administrativos e técnicos da penitenciária realizaram ato ontem, na porta da Prefeitura, contra reforma proposta pelo governo de Minas
Servidores administrativos e técnicos da penitenciária "Professor Aluízio Ignácio de Oliveira" aderiram à greve iniciada pelos agentes do Centro Socioeducativo de Uberaba (Cseur). As duas categorias se uniram em ato em frente da Prefeitura Municipal de Uberaba em discordância à reforma administrativa proposta pelo governo estadual e contra o descumprimento dos compromissos assumidos com os trabalhadores em 2015. Hoje, servidores e agentes se manifestam na praça Rui Barbosa.
De acordo com a porta-voz dos grevistas, analista técnico jurídica de Defesa Social Helen Silvano Alexandre, as categorias pedem principalmente a revisão do Projeto de Lei nº 3.503/2016. “Esse projeto prevê a extinção da Secretaria de Defesa Social do Estado e nós seríamos realocados, juntamente com os agentes prisionais, em outras secretarias e até mesmo em fundações. Os servidores socioeducativos iriam principalmente para a Secretaria de Desenvolvimento Social, a qual tem um orçamento muito baixo em relação às funções previstas ao cargo. Os cortes no sistema prisional seria uma forma de enxugar o orçamento e isto prejudicaria não só os servidores, mas a ressocialização dos detentos e familiares”, alerta.
A previsão, segundo Helen Silvano, é de que o projeto seja votado hoje na Assembleia Legislativa, mas há possibilidade de uma manobra do governo para que o texto seja votado na próxima quinta-feira (19). “Até o governo ouvir nossas reivindicações e discutir a revisão do artigo que prevê a extinção dos nossos cargos e carreiras vamos continuar a greve”, frisa. O centro conta com 95 agentes socioeducativos e o sistema prisional, cerca de 30 servidores administrativos. Com a paralisação em Uberaba será mantido o mínimo de 30% do atendimento, como prevê a legislação.
Para Sirlei Gomes da Silva, assistente social do sistema prisional, o impacto dessa decisão do governo de promover essa reforma administrativa vai atingir não somente os servidores, mas também os detentos e os adolescentes cumprindo medidas socioeducativas, que deixarão de ter atendimento técnico. “Tirando-nos do sistema prisional, o governo deixará de prestar este serviço a detentos e adolescentes, e o processo de ressocialização ficará prejudicado. Com isso, a sociedade também será lesada, ou seja, a greve não é por interesse só nosso”, completa a servidora.