POLÍTICA

Suplente pede cassação de colega de partido alegando nepotismo

A acusação alega que o vereador nomeou o ex-sogro para cargo na sua equipe de gabinete na Câmara Municipal de Uberaba; documento está em análise da Procuradoria da Casa

Gisele Barcelos
Publicado em 06/07/2021 às 21:03Atualizado em 19/12/2022 às 03:09
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Foto/Rodrigo Garcia/CMU

Vereador Professor Wander Araújo (PSC) é alvo de pedido de cassação pelo colega de partido sob alegação de prática de nepotismo

Pedido de cassação do vereador Wander Araújo (PSC) foi protocolado esta semana na Câmara Municipal. A solicitação foi feita pelo ex-candidato a vereador Wesley Silva Gomes, que é primeiro suplente da chapa proporcional do PSC e assumiria a vaga se o parlamentar perder o mandato. O documento foi encaminhado para análise da Procuradoria da Casa.

No pedido, o autor da denúncia acusa o vereador de nepotismo direto por nomear o ex-sogro para um cargo na equipe de gabinete. Wesley aponta que a situação se enquadra como ato de improbidade ou corrupção, o que justifica o afastamento do parlamentar e a perda do mandato.

Questionado, Wesley declarou à Rádio JM que recebeu a denúncia sobre o caso de nepotismo e decidiu formalizar a representação para que o Legislativo pudesse adotar as providências necessárias. “Acredito que a Câmara Municipal não será omissa e vai fazer prevalecer a lei como está escrito”, defendeu.

Além disso, o autor da denúncia adiantou que a situação será levada ao Judiciário, caso a Câmara decida pelo arquivamento do pedido de cassação contra o vereador do PSC. “Se a Câmara se omitir perante a lei, como suplente eu posso entrar judicialmente e pedir a cassação. Nepotismo é crime de improbidade administrativa e isso leva à perda do mandato”, alegou.

Já o parlamentar acusado manifestou que as declarações não têm fundamento. Segundo ele, não teve sequer uma união estável com a filha do ex-sogro nomeado como assessor de gabinete. “Foi um namoro 12 anos atrás e que durou seis meses. Tive um filho desse relacionamento [...] Mas nunca fui casado. Quando o filho nasceu, eu não tinha mais relação com a mãe”, salienta.

Wander argumentou que a denúncia partiu de uma “pessoa desinformada”, que está tentando “criar um palco político”, após ter saído derrotado nas urnas e não conseguir uma vaga na Câmara. “Estou tranquilo [sobre as acusações] porque não se qualificam como nepotismo”, acrescenta.

Se não houver respaldo nas acusações, denúncia deve ser arquivada, diz Marão

Aguardando parecer da equipe jurídica da Câmara Municipal, o presidente da Casa, Ismar Marão (PSD), adiantou que o pedido de cassação contra Wander Araújo (PSC) deve ser arquivado se não houver respaldo para as acusações.

Ismar posicionou que o vereador acusado afirma que a relação com a filha do assessor foi apenas um namoro. Nesse caso, a nomeação do ex-sogro não se configuraria como nepotismo. “Comprovando que não teve união estável e casamento, vai ser arquivado”, acrescenta.

No entanto, o presidente da Câmara afirma que é preciso analisar os documentos apresentados junto à denúncia para um posicionamento oficial e ele aguarda o parecer jurídico da Procuradoria sobre a questão.

Por outro lado, mesmo que o pedido de cassação seja arquivo pelo Legislativo, Ismar afirma que a representação será encaminhada para a análise do Judiciário, assim como foi feito em relação ao pedido de afastamento da prefeita Elisa Araújo. (GB)

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