Audiência para definir sobre compensação de perdas causadas pela Lei Kandir foi encerrada ontem sem uma proposta concreta da União aos Estados
Audiência para definir sobre compensação de perdas causadas pela Lei Kandir foi encerrada ontem sem uma proposta concreta da União aos Estados. O governador Romeu Zema (Novo) declarou ter saído frustrado do encontro e adiantou que lideranças políticas continuarão mobilizadas para cobrar o pagamento do governo federal.
Mediada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, a audiência teve a participação de representantes dos demais estados do Brasil, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Economia. Os interlocutores do governo federal avaliaram que não seria possível ressarcir os estados diante do cenário crítico dos cofres federais.
Na reunião ontem, a União se comprometeu apenas a usar recursos arrecadados com leilões de campos de petróleo para aliviar os cofres estaduais. Além de propor o aumento de 50% nos recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), a resposta desagradou governadores e parlamentares presentes.
Zema posicionou que Minas passa por uma grave crise fiscal e precisa com urgência dos recursos. Estima-se que o Estado deixou de arrecadar R$135 bilhões nas últimas duas décadas com as isenções fiscais para produtos primários devido à Lei Kandir. “Minas precisa desse recurso para ontem. Pelo que vimos aqui, contra a nossa expectativa, muito provavelmente nada será resolvido ainda esse ano. Tudo o que for resolvido ainda é um tanto quanto incerto”, pondera.
Conforme o governador, todas as opções políticas e jurídicas serão avaliadas para conseguir a compensação. “Vamos continuar lutando, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance, porque é algo que a lei nos assegura, que é direito de Minas. Tudo o que for possível fazer, em termos jurídicos e em termos políticos, nós faremos”, declarou.
Sem um acordo entre as partes, a audiência definiu a criação de uma comissão para tratar uma proposta de ressarcimento pelas perdas da Lei Kandir. A comissão tem prazo de seis meses para que seja apresentada uma proposta consensual entre estados e o governo federal.