Não é a primeira vez que a entrega de título de Cidadania causa polêmica na Câmara Municipal de Uberaba (CMU). Em 2018, o então vereador Kaká Carneiro, na época no PR, pediu a revogação da lei que concedeu o título de Cidadania Uberabense ao então governador do Estado, Fernando Pimentel (PT).
Kaká foi o autor da proposta que concedeu a condecoração ao petista em 2014. Na segunda-feira (16), o Beth Pantera, coletivo de pessoas LGBTQIAP + e simpatizantes da causa, protestou contra a entrega do título de Cidadania Uberabense ao deputado federal Marco Feliciano (Republicanos).
A homenagem foi feita pelo vereador Eloisio Santos (PTB), que justificou a decisão, alegando que desde 2008, mesmo antes de ser eleito deputado, Feliciano já trazia benefícios para a cidade, através de suas palestras, que influenciaram muitos jovens.
Para o Beth Pantera, a homenagem não se justifica, pois o deputado Marco Feliciano é identificado com práticas homofóbicas e não tem nenhuma contribuição ao município de Uberaba que sustente a concessão do título de Cidadania.
Em relação ao pedido de revogação da lei que outorgou o título de Cidadania ao governador Fernando Pimentel, na ocasião, Kaká Carneiro justificou o pedido em função da falta dos repasses do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Outro motivo para a revogação do título foi o escalonamento da gratificação natalina dos servidores públicos estaduais.
O que ainda influenciou no pedido de revogação do título, segundo o então vereador, seria a interferência do governador para transferir a Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite) para Belo Horizonte. O evento, que era uma das principais atrações turísticas de Uberaba e movimentava economicamente o município, ocorreu em 2016 e em 2017 na capital mineira.
Em meio às polêmicas relacionadas à concessão do título de Cidadania ao deputado Marco Feliciano, o presidente do Legislativo, Ismar Marão (PSD), anunciou decisão da Câmara Municipal de não realizar eventos de entrega de honrarias este ano.