Tony confirma que fez o comentário em seu programa de rádio, mas nega que tenha citado um nome sequer
O comentário em seu programa de rádio de que houve compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara pode render dor de cabeça ao jornalista, radialista e vereador Tony Carlos (PMDB), que cumprirá seu quinto mandato. No que depender do presidente da Casa, Elmar Goulart (PSL), assim que a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar estiver definida, vai solicitar que apure o caso.
“Não podemos aceitar que se coloque em dúvida a honestidade e a dignidade de nenhum dos 14 vereadores”, disse Elmar, em sua primeira entrevista após a eleição da Mesa e do ato de transferência do cargo, ontem à tarde, no Paço Municipal. As 17 comissões permanentes da Casa, entre as quais a de Ética, serão escolhidas em fevereiro, na primeira sessão do ano, a qual será dedicada exclusivamente a esse propósito. A reunião ainda não tem data marcada.
Tony confirma que fez o comentário em seu programa de rádio, mas nega que tenha citado um nome sequer. Ele ainda reitera que não compactua com gente desonesta, que recebeu dinheiro para votar. Para o peemedebista, porém, as suas declarações não têm que ser submetidas à Comissão, já que as pronunciou na condição de jornalista e radialista, não em plenário.
“Não vejo falta de ética. Falei de algo que participei [a eleição da Mesa] e só votei nas chapas porque a grande maioria dos seus integrantes é honesta.” Elmar assegura que irá requisitar a gravação do programa para encaminhá-la à comissão. Ele diz que se houve compra de votos, não foi da sua parte, primeiro porque não tem condições de dar dinheiro para ninguém, e segundo, porque não faria isso. “Respeito a dignidade das pessoas. Se depender disso para eu presidir a Casa, prefiro renunciar ao mandato. Se do lado de lá houve, não sei. Cabe ao Tony provar isso.”
O presidente da Câmara também afirma que sua assunção ao cargo não teve a participação do economista e empresário João Franco Filho, do deputado estadual Antônio Lerin (que teve o apoio do PSL no segundo turno da eleição) ou do ex-prefeito Anderson Adauto (sem partido). Conforme garante, a sua eleição contou com o envolvimento dos sete novatos que se sentiram desprestigiados com os projetos que alteraram a vigência da Mesa e a forma de escolha dos seus integrantes.
“Isso mexeu com o brio dos novatos, porque nenhum foi convidado para participar das discussões. Então, eles fecharam em torno do meu nome, numa demonstração de caráter e dignidade do grupo”, disse Elmar. Sobre a intenção do PSL de acionar a Justiça contra a medida, se limitou a declarar que vai procurar a direção para saber qual caminho será tomado.